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COE alerta para falta de medicamentos para entubar pacientes com Covid-19

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Foto: Roberta Aline

 

O problema da falta de medicamentos para entubação de pacientes com Covid-19 foi um dos temas discutidos nesta segunda-feira (13) em reunião do COE (Comitê de Operações Emergenciais contra a Covid-19).

A situação se agrava em hospitais do estado e pode comprometer a realização de cirurgias. Os fabricantes dos medicamentos alegam falta de matéria-prima para a produção. Outra justificativas é a alta dos preços dos princípios ativos, geralmente importados, que subiu com a elevação do dólar e a crescente demanda mundial devido a pandemia.

Na reunião, os representantes do COE - que integra médicos, técnicos e pesquisadores - pediu que o governo faça pressão junto ao Ministério da Saúde para a liberação dos medicamentos como sedativos, analgésicos e bloqueadores musculares. 

Há um mês, os secretários de Saúde de todo o país já fizeram o alerta. Eles pediram que o governo federal autorize a OPAS (Organização Pan Americana de Saúde) a negociar a importação dos medicamentos. O Ministério da Saúde não autorizou. 

O presidente da CMB (Confederação das Santas Casas de Misericórdia, Hospitais e Entidades Filantrópicas), Mirocles Veras, informou que a entidade conseguiu medicamentos da indústria brasileira e que o governo federal também tinha adquirido para distribuir aos estados. 

O secretário estadual de Saúde, Florentino Neto, informou que aguarda o envio de medicamentos pelo Ministério da Saúde, que devem chegar nesta segunda-feira (13). 

Florentino Neto revelou que no último sábado entrou novamente em contato com o presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), que é o secretário de estado da saúde do Maranhão, Carlos Lula.  "Ele imediatamente ligou para autoridades do Ministério da Saúde retratando que os estados do Piauí, Santa Catarina e Pernambuco precisavam ser atendido de forma prioritária".

"Recebi manifestação do Ministério da Saúde informando que ontem ou no máximo hoje nós estaríamos recebendo esse medicamento. Estamos em contato com o Ministério aguardando uma quantidade, que a gente sabe que será suficiente, mas que seja importante para a nossa necessidade. Além disso, o Ministério da Saúde permitiu que todos os estados cadastrassem as suas necessidades até sexta-feira para buscar uma compra internacional para suprir de forma mais precisa". 

O secretário ressalta que a falta de medicamentos é uma preocupação e é pauta da Secretaria Estadual de Saúde (Sesapi) há mais de 15 dias.

Florentino citou quais os medicamentos necessários para o paciente com Covid-19 em uma unidade de terapia intensiva.

"Os bloqueadores neuromusculares são medicamentos que evitam a contração muscular. Nós temos o grupo dos sedativos, o grupo dos analgésicos e o grupo de medicamentos vasocompressores. São medicamentos fundamentais em pacientes que estão em unidades de terapias intensivas e intubados, requerendo assim o auxílio respiratório por meio de um respirador mecânico".

Florentino destaca que esses medicamentos precisam estar em quantidade suficiente para atender todos os pacientes de uma UTI. 

"A indústria nacional comunicou ao Ministério da Saúde e ao Conass ainda em março que sofria dificuldades para a produção destes medicamentos. A maioria dessas indústrias não tem os insumos para conseguir fabricar esses medicamentos".

Diante disso, o Conass fez um requerimento ao Ministério da Saúde para que pudesse autorizar a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) importar esses medicamentos. 

"Essas tratativas foram tentadas, mas o Ministério da Saúde resolveu por adquirir esses medicamentos. O Ministério da Saúde tem tido dificuldade e tem adquirido em quantidade insuficiente para a manutenção das necessidades dos 26 estados mais o Distrito Federal". 

"Nós, do estado do Piauí, estamos conseguindo comprar dos nossos fornecedores. Estamos tendo requisições administrativas, que é uma modalidade de obrigar o fornecedor a lhe apresentar o medicamento, para saber que ele tem. Nós já tivemos requisições que foram relativamente exitosas. O fato é que a gente tem mantido esses medicamentos nas nossas unidades de terapia intensiva com grandiosa dificuldade".

 

Flash Yala Sena e Carlienne Carpaso
[email protected]

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