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Juros de médio prazo fecham em leve alta, antecipando leilão

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Os juros futuros terminaram a sessão regular em leve alta até os vencimentos intermediários e os longos fecharam estáveis, com pressão estabelecida no fim da sessão regular, atribuída a uma provável antecipação do investidor ao leilão de prefixados desta quinta-feira, 16, uma vez que o Tesouro tem ofertado lotes grandes de LTN nas últimas semanas. Até então, na maior parte do dia, as taxas oscilavam em queda, refletindo a melhora do apetite pelo risco no exterior, amparada principalmente em notícias de avanço em testes de vacina contra o coronavírus, e, aqui, o reforço no debate sobre a reforma tributária.

O quadro de apostas para a Selic permaneceu indefinido, mas hoje um leve avanço da expectativa de corte de 0,25 porcentual deixou a divisão ainda mais justa na precificação da curva, de 50% a 50%, mesmo com o IGP-10 acima das estimativas. Nas opções digitais de Copom, a aposta de queda voltou a ser discretamente majoritária. O IGP-10 de julho subiu 1,91%, acima do teto das estimativas (1,84%) coletadas pelo Projeções Broadcast.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 fechou na máxima de 3,05%, de 3,012% ontem no ajuste, e a do DI para janeiro de 2025 subiu de 5,583% para 5,61%. O DI para janeiro de 2027 fechou com taxa estável em 6,42%.

Até o começo da sessão estendida, as taxas renovaram máximas em vários pontos da curva. Profissionais nas mesas de renda fixa viram o movimento ligado à piora do câmbio e a fatores técnicos, com montagem de posições em função do leilão de prefixados amanhã. Os vértices mais pressionados do DI, os do miolo, coincidiram com os vencimentos de LTN ofertados pelo Tesouro, que têm tido lotes grandes, de 17 milhões, 19,5 milhões e 15,5 milhões nas últimas semanas. Já o dólar se firmou no patamar dos R$ 5,38 no fim da tarde.

Até então, porém, o clima era favorável aos vendidos. "Temos hoje o mercado externo positivo com a chance maior de vacina, o que dá a esperança de que as medidas restritivas possam ser totalmente eliminadas. Isso está impulsionando as bolsas e moedas emergentes, e favorece a ponta longa também", disse o operador de renda fixa da Terra Investimentos Paulo Nepomuceno. O real tem destoado, explicou, por questões específicas relacionadas ao fluxo e à própria estimativa de nova queda da Selic.

A expectativa de que o governo avance na discussão das reformas também deu argumento para a redução da inclinação nesta quarta-feira, 15. O presidente Comissão Especial da Reforma Tributária na Câmara, deputado Hildo Rocha (MDB-MA), disse ao Broadcast Político que o colegiado realizará reunião amanhã, às 10h, para retomar o debate. Já o secretário especial de Fazenda do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues, repetiu que o governo irá mandar sua proposta de reforma ao Congresso. "O governo tem trabalhado intensamente considerando os impactos da pandemia de covid-19 sobre todas as reformas estruturais. Ajustes serão feitos em todas as propostas devido aos efeitos da pandemia", reiterou.

Por Denise Abarca
Estadão Conteúdo

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