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Após vitória, Osaka desiste de torneio em Nova York em protesto contra racismo

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O boicote da NBA nesta quarta-feira ganhou um reforço de peso no mundo do tênis. A japonesa Naomi Osaka anunciou que não disputará a semifinal do Torneio de Cincinnati, realizado em Nova York neste ano, em protesto contra os recentes atos de racismo nos Estados Unidos.

Ela fez o anúncio poucas horas após vencer a estoniana Anett Kontaveit pelo placar de 2 sets a 1, com parciais de 4/6, 6/2 e 7/5, e avançar à semifinal do torneio, de nível Premier, abaixo apenas dos Grand Slams. A atual número dez do mundo disse que a decisão é um apoio aos protestos em favor de Jacob Blake, um homem negro alvejado com sete tiros nas costas por policiais no estado de Wisconsin, no domingo.

"Como muitos de vocês devem saber, eu estava escalada para jogar a semifinal amanhã (quinta-feira). Entretanto, antes de ser uma atleta profissional, sou também uma mulher negra. E, como mulher negra, eu sinto que tem coisas mais importantes e que merecem atenção mais imediata do que me ver jogar uma partida de tênis", escreveu Osaka em suas redes sociais.

Osaka, de 22 anos, é filha de mãe japonesa e de pai haitiano. Mas, apesar da nacionalidade japonesa, a atleta tem mais vínculos familiares e profissionais com os EUA do que com o Japão. "Não espero que aconteça nada drástico por eu não jogar, mas, se eu conseguir promover essa discussão em um esporte majoritariamente branco, acho que é um passo na direção certa. Assistir ao genocídio da população negra nas mãos da polícia embrulha o meu estômago. Estou exausta de ter que postar uma nova hashtag a cada poucos dias e extremamente cansada de ter as mesmas conversas o tempo todo. Quando isso vai parar?", questionou a atleta.

Ex-número 1 do mundo, Osaka é uma estrela em ascensão no circuito profissional. Ela despontou para o mundo justamente em Nova York, há dois anos, quando levantou seu primeiro troféu de Grand Slam, no US Open. No ano seguinte, foi campeã também do Aberto da Austrália. Osaka foi considerada pela revista Forbes como a atleta mais bem paga de 2019. Ela faturou US$ 37,4 milhões (cerca de R$ 207 milhões) ao longo do ano passado.

Ao desistir de seguir competindo em Nova York, a tenista desperdiça chance preciosa de ganhar ritmo de jogo às vésperas do US Open, que terá início na segunda-feira. Osaka disputa nesta semana a sua primeira competição desde a paralisação do circuito profissional, em março.

Mais cedo, os jogos da NBA e da WNBA agendados para esta quarta foram adiados por pressão dos jogadores, que se recusaram a entrar em quadra. Assim como Osaka, eles protestam contra os recentes atos de racismo nos EUA.

RESULTADOS - Com a desistência da japonesa, a belga Elise Mertens avança diretamente à final em Nova York. Nesta quarta, ela tinha alcançado a semifinal ao derrotar a local Jessica Pegula por 6/1 e 6/3. A outra semifinal terá a bielo-russa Victoria Azarenka e a britânica Johanna Konta, algoz da grega Maria Sakkari, que havia eliminado a local Serena Williams na terça-feira.

A chave masculina terá o sérvio Novak Djokovic entre os quatro melhores do torneio. Nesta quarta, ele superou o alemão Jan-Lennard Struff por 6/3 e 6/1. Seu próximo adversário será o espanhol Roberto Bautista-Agut, algoz do russo Daniil Medvedev, atual campeão, por 1/6, 6/4 e 6/3.

A outra semifinal terá o grego Stefanos Tsitsipas e o canadense Milos Raonic. O tenista da Grécia avançou nesta quarta diante da desistência do local Reilly Opelka ainda no primeiro set. Já Raonic despachou o sérvio Filip Krajinovic por 4/6, 7/6 (7/2) e 7/5.

Por Felipe Rosa Mendes
Estadão Conteúdo

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