Cidadeverde.com
Economia

Dólar cede a R$ 5,57 com posicionamento do BC dos EUA sobre política monetária

Imprimir

Foto: Willian Moreira/Futura Press/Folhapress

Após uma quarta-feira tensa que esticou a cotação até R$ 5,63, a quinta-feira, 27, considerada morna de notícias domésticas abriu espaço para o dólar recuar frente ao real, em um movimento de correção que também teve alguma sintonia com o de outras moedas no exterior tanto de países avançados como pares emergentes. O dólar à vista fechou em queda de 0,66%, cotado a R$ 5,5778.

O enfraquecimento da divisa americana se deu principalmente por causa da percepção dos investidores de que os juros da economia dos Estados Unidos devem seguir muito baixos por um longo período. No entanto, o recuo da sessão desta quinta-feira não mostra que as incertezas domésticas foram dissipadas, pelo contrário, seguem como pano de fundo.

"Ontem foi um dia quente com a fala do Bolsonaro puxando o dólar para cima e hoje o dia localmente está morno em termos de notícias, abriu espaço para que o movimento do dólar por aqui ficasse em sintonia com o enfraquecimento da moeda no exterior", ressalta Bruno Musa, sócio da Acqua Investimentos.

De acordo com Musa, a deixa foi dada pelo presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell, ao anunciar nesta quinta cedo, durante o Simpósio de Jackson Hole, mudança na política monetária -a qual agora considerará a inflação média, em torno da meta de 2% já estabelecida, para mexer na taxa. A "alta moderada" na inflação dos Estados Unidos, que passará a ser aceita pelo Fed provavelmente significa 2,25% ou 2,50%, afirmou o presidente do Fed Dallas, Robert Kaplan. "A nova estratégia significa que teremos mais tolerância com alta da inflação", disse à tarde.

Valter Unterberger Filho, gerente de portfólio da Galapagos Capital, diz que as incertezas seguem no câmbio. "Temos vivido de barulhos políticos e ficamos nesse vai e volta. Difícil ficar animado com o câmbio antes de tirar as incertezas com relação à saída do ministro Paulo Guedes, ao comprometimento do governo e do Congresso com a questão fiscal e as reformas necessárias para o país voltar a crescer. Para ele, enquanto essas questões não forem endereçadas, levará um tempo para o câmbio ceder.

Nesta quinta, o analista econômico da consultoria ISI Emerging Markets Group, Adriano Morais, disse que, ao lado da Argentina, o Brasil apresenta a pior situação fiscal da América Latina. Na outra ponta, listou, estão Peru, México e Chile, com uma posição mais confortável.

Por Simone Cavalcanti
Estadão Conteúdo

Imprimir