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Em 2021, Brasil deve crescer menos que o mundo inteiro

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Foto: Yasmim Cunha/Cidadeverde.com

O crescimento da economia brasileira em 2021 ficará abaixo da média global e da América Latina e, ao contrário da saída da crise financeira mundial de uma década atrás, desta vez o Brasil não contará com o impulso do aumento de preços de commodities minerais.

Muitos países, sobretudo os emergentes e europeus, também não se recuperarão tão rapidamente das perdas provocadas em 2020 pela pandemia do novo coronavírus, de acordo com novas projeções do Institute of International Finance (IIF), que reúne 450 bancos e fundos de investimento em 70 países.

Além de a pandemia ter afetado todo o planeta e levado à paralisação dos setores industriais e de serviços –algo inédito e mais profundo do que o congelamento do setor financeiro há uma década, durante a Grande Recessão–, desta vez a China não está bancando programas de recuperação baseados em grandes investimentos em infraestrutura.

O país asiático vem concentrando recursos para ampliar créditos ao consumo, o que demandará mais alimentos e menos produtos minerais.

Na crise de dez anos atrás, depois de o PIB (Produto Interno Bruto) recuar 0,2% em 2009, o Brasil cresceu 7,5% em 2010, com forte demanda por commodities metálicas e agrícolas por parte da China, o que levou ao aumento de seus preços e a mais receita para os exportadores.

Desta vez, no entanto, as commodities metálicas devem ter uma recuperação modesta: alta de preços em torno de 4,5% em 2021, após queda de 2% neste ano.

Para o Brasil, o IIF projeta queda do PIB de 5,9% neste ano e alta de 3,6% em 2021 –abaixo do crescimento de 5,3% estimado para o mundo no ano que vem e dos 3,8% na média da América Latina.

A opção por não acelerar investimentos em infraestrutura da China deve afetar o Brasil por dois canais:

1) Pode haver menos apetite de investidores estrangeiros na Bolsa brasileira, na qual as commodities têm um peso relevante, sobretudo por causa da Vale;
2) Os preços internacionais de alimentos devem seguir pressionados, especialmente em função da recuperação da demanda global e do dólar caro, que remunera melhor quem exporta –com reflexos na inflação interna.

Somando diferentes tipos de entradas e saídas, o Brasil terá um fluxo positivo de dinheiro estrangeiro em 2020 de apenas US$ 11 bilhões, bem abaixo dos US$ 59 bilhões de 2019, segundo o IIF.

Neste ano, a fuga dos ativos de risco do Brasil deve atingir US$ 24 bilhões (R$ 134 bilhões), mais que o dobro do registrado no ano passado.

Embora o Brasil deva crescer menos que a média dos países latino-americanos em 2021, seu tombo neste ano foi significativamente menor que o de seu principal parceiro comercial na região, a Argentina, com queda do PIB de 12,8%.

Na região, o país mais afetado pela pandemia será a Venezuela, que registra PIBs negativos desde 2014. Em 2020 o país do ditador Nicolás Maduro terá encolhido 28%; e deve continuar no vermelho em 2021.

Pelas projeções do IIF, a situação da Venezuela neste ano só é pior do que a do Líbano –cuja capital, Beirute, foi afetada por uma megaexplosão de um porto no início de agosto.

Mesmo antes da tragédia, o país já sofria de hiperinflação, com os preços triplicando desde março e a moeda local, a libra libanesa, se desvalorizando quase 80%.

 

FERNANDO CANZIAN
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

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