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Lucro do Banco do Brasil cai 23,3% com reserva contra calotes

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Foto: Yasmim Cunha/cidadeverde.com 

O lucro ajustado do Banco do Brasil -que não considera itens extraordinários- atingiu R$ 3,5 bilhões no terceiro trimestre deste ano, queda de 23,3% em relação a igual período de 2019. O movimento foi mais uma vez puxado pelas reservas contra calotes, que subiram 40,5%, para R$ 5,5 bilhões.

Em relação ao segundo trimestre deste ano, o lucro registrou alta de 5,2%. Nos primeiros nove meses deste ano, o resultado do banco soma R$ 10,2 bilhões, queda de 22,9% em comparação ao observado de janeiro a setembro de 2019.

O lucro líquido total do banco, que considera itens extraordinários, ficou em R$ 3,1 bilhões de julho a setembro -queda de 27,5% em relação a igual período de 2019 e de 3,9% quando comparado ao trimestre anterior.

Os itens extraordinários consideram receitas e despesas não recorrentes, como as despesas com provisão para ações judiciais referentes aos planos econômicos em cadernetas de poupança, provisão extraordinária com demandas contingentes, entre outros.

No período observado de julho a setembro, as reservas contra calotes tiveram uma queda de 6,8% em relação ao segundo trimestre. Nos primeiros nove meses deste ano, essas provisões somaram R$ 17 bilhões, um avanço de 47,9% em comparação a igual intervalo do ano passado.

Em relatório divulgado nesta quinta-feira (5), o BB afirmou que vem mantendo a provisão em níveis aderentes aos riscos de crédito e que as provisões prudenciais acompanham a dinâmica da carteira.

"Os movimentos prudenciais de incorporação de provisão na carteira têm ocorrido de froma gradual, sem volatilidade excessiva, evidenciando uma postura mais cautelosa quanto a alocação necessária de recursos para absorver os impactos relacionados aos efeitos adversos e sem precedentes gerados pela crise da pandemia", afirmou o banco.

A carteira de crédito total do BB atingiu R$ 730,9 bilhões no terceiro trimestre deste ano, um avanço de 6,4% em relação a igual período de 2019 e um aumento de 1,2% ante os três meses anteriores.

O segmento de pessoas jurídicas, que tem a maior participação da carteira total, ficou em R$ 274,6 bilhões, alta de 7,9% no período. Os empréstimos para pessoas físicas totalizaram R$ 222,6 bilhões –aumento de 6,2%-, enquanto o crédito para o agronegócio somou R$ 190,5 bilhões, avanço de 4,2% no período.

Segundo o banco, as operações com MPMEs (micro, pequenas e médias empresas) foram destaque na carteira corporativa, tendo crescido 17,9% no período, para R$ 74 bilhões. "[O avanço é justificado] principalmente pelos desembolsos de R$ 6,2 bilhões na linha de crédito amparada pelo Pronampe [Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte]", disse o BB em relatório.

No segmento de grandes empresas, a carteira de crédito ficou em R$ 93,4 bilhões, queda de 2,3% em comparação ao observado de julho a setembro de 2019.

A inadimplência total do banco ficou em 2,4% no terceiro trimestre, uma queda de 0,7 p.p. (ponto percentual) em comparação a igual período do ano passado. Excluindo-se um caso específico não detalhado pelo banco, o índice de atrasos seria 1,92%.

A margem financeira líquida (principal receita de um banco, com operações de crédito) ficou em R$ 8,5 bilhões no terceiro trimestre, recuo de 11,7% em comparação a igual período do ano passado.

Já as receitas com prestação de serviços somaram R$ 7,3 bilhões, queda de 2,5% na mesma relação.

Créditos prorrogados do BB sobem 52,1% A carteira de créditos prorrogados do BB atingiu R$ 109,2 bilhões no trimestre finalizado em setembro, um aumento de 52,1% em relação ao trimestre anterior. O número representa 17,3% da carteira de crédito interna.

Segundo o banco, deste montante, 95% das operações possuíam notas de crédito consideradas altas (o que significa que tinham baixo risco de crédito) e 97,8% das transações não tinham histórico de atraso nos últimos 12 meses. Do total, 64,6% estão atreladas a garantias e mitigadores de risco.

"Avaliamos e monitoramos os potenciais impactos na carteira, considerando as peculiaridades dos diversos segmentos e linhas de crédito e temos adotado medidas proativas para a gestão do risco e do capital. Trabalhamos para preservar a continuidade das nossas operações e a sustentabilidade de longo prazo de nossa empresa e do relacionamento com nossos clientes", disse o BB em relatório.

A carteira de crédito renegociada totalizou R$ 3,3 bilhões no terceiro trimestre deste ano, um aumento de 18,9% em relação a igual período de 2019, mas um recuo de 41,5% em relação aos três meses imediatamente anteriores.

A carteira de crédito renegociada não contempla as operações prorrogadas no âmbito da atuação da pandemia. O BB afirmou que tem atuado de forma preventiva para tentar readequar o portfólio dos clientes à sua capacidade de pagamento.

"Do total de operações contratadas no terceiro trimestre na carteira renegociada por atraso, 39,3% estavam em atraso inferior a 15 dias, 25,8% estavam em atraso entre 15 e 90 dias, 19,4% estavam atrasadas há mais de 90 dias e 15,5% estavam em perdas. O segmento de pessoas físicas foi responsável por 67,5% das contratações", afirmou o banco.


ISABELA BOLZANI

FOLHAPRESS

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