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Felipão muda clima no Cruzeiro em meio a ameaça até de Série C

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O Cruzeiro não perde há cinco jogos e chega ao duelo com o Botafogo-SP às 19h15 desta sexta-feira (6), pela 20ª rodada Série B do Campeonato Brasileiro, ostentando sua melhor sequência na temporada, com 9 pontos conquistados de 15 disputados.

A série invicta coincide em parte com a chegada do técnico Luiz Felipe Scolari, que já acumula duas vitórias e um empate em três jogos -imediatamente antes de sua chegada, o time havia alcançado dois empates seguidos, contra o Oeste, fora de casa, e Juventude, no Mineirão.

Antes dele, o time passou por maus bocados com treinadores que não conseguiram impor sua filosofia de trabalho, o que deixou a torcida preocupada com o risco grave de queda até para a Série C. A diretoria azul optou então por um nome mais experiente, e a situação agora, mesmo que bastante complicada, ganhou outros contornos.

Além de treinador, Felipão apareceu como uma espécie de escudo em sua segunda passagem pelo clube e conseguiu melhorar, entre outras coisas, o ambiente ruim na Toca da Raposa II. Mesmo cortando certas regalias, viu o grupo se unir mais.

O treinador passou a trabalhar para aglutinar os jogadores, antes divididos sob os comandos de Enderson Moreira e Ney Franco. Ele tem interferido até no convívio social dos atletas, proibindo o uso de celular durante as refeições e integrando o grupo em mesas maiores, em vez de deixá-los separados no refeitório.

Pelo currículo que tem no futebol, o treinador tem influenciado os jogadores de modo a criar um ambiente mais responsável no CT, o que ficou evidente em entrevista do zagueiro Manoel, uma das figuras de liderança no elenco, após recente vitória sobre o Paraná.

"Temos um treinador no banco que é consagrado, todo mundo sabe da história dele, ficamos muito felizes. A gente mudou o espírito, estamos mais vibrantes, todo mundo que está no banco. A gente está tendo uma oportunidade única de levantar esse clube de novo para a Série A, então vamos trabalhar bastante, temos muitas coisas para melhorar", disse.

Ainda sem conhecer todo o elenco, Felipão faz mudanças pontuais na forma do time jogar e ganha a confiança dos atletas aos poucos. Os discursos do treinador fazem efeito justamente por que os jogadores "compraram a ideia" do novo comandante.

Felipão ainda assumiu que, neste início de trabalho, tem atuado mais como "paizão da garotada", já que o elenco tem uma média de idade de 24 anos -ele até se descontraiu ao ser perguntado se o Cruzeiro já tinha sua cara após três jogos.

"Minha cara é muito feia para o Cruzeiro ter. Acho que a nossa identidade está sendo criada na medida em que os jogos estão sendo jogados, na medida em que nós vamos nos conhecendo, nos treinamentos e durante o dia a dia na Toca II. Algumas coisas, eu faço cobrança, e outras, faço quase como um professor de uma escola mesmo, orientando, temos muitos jovens, que precisam de carinho, ensinamentos", revelou.

Apesar de reconhecer a melhora no ambiente cruzeirense, o treinador também segue com um tom cauteloso em seus discursos nos pós-jogos. A missão do Cruzeiro é, ainda, lutar contra o rebaixamento -e isso ele deixa claro para jogadores e torcida.

"Aos poucos, nós vamos melhorando. Não vamos dizer a torcida que estamos bem ou que vamos fazer isso, aquilo, porque ainda falta muita coisa, falta muito trabalho. Nós temos que buscar melhores posições, pois estamos ainda na última zona."

"Sabemos que o mínimo para que não se caia para uma Série C é de 45 pontos, e só temos 20. Nós temos que saber, a torcida tem que saber, todo mundo tem que saber que temos 20, pronto, não adianta ficar enganando ninguém. Temos que correr atrás de no mínimo 25 para depois fazermos outras coisas", completou.

Fonte: UOL/FOLHAPRESS

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