Cidadeverde.com
Geral

Irmã de vereador e servidoras da Semam estão entre alvos da operação Tertium

Imprimir

Atualizada às 11h50

Duas servidoras da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semam), identificadas como Reginalda de Araujo Costa (advogada) e Teresinha Alves dos Santos (contadora),  e a irmã do vereador Neto do Angelim (Progressistas), Edilene Bezerra, estão entre os alvos da operação Tertium, deflagrada nesta terça-feira(22) pela Delegacia de Combate à Corrupção. A ação investiga uma associação criminosa que supostamente se beneficiaria com recursos públicos da Prefeitura de Teresina. 

O Instituto Piauí Gestão, o Conselho Comunitário do Angelim e o Instituto Samara Sena também foram alvo de mandados de busca e apreensão nesta terça-feira. Os nomes foram obtidos pelo  Cidadeverde.com junto à fontes da Polícia Civil. 

O Cidadeverde.com também apurou que as duas servidoras alvo da investigação foram afastadas da Secretaria de Meio Ambiente por decisão judicial, e estão proibidas de frequentar o local ou manter contato com outros servidores.  A decisão também determina que a Prefeitura de Teresina suspenda pagamentos às empresas e instituições investigadas. 

O delegado Ferdinando Martins, titular da Delegacia de Combate à Corrupção, informou que durante o cumprimento dos mandados na manhã de hoje foram apreendidos celulares, computadores e documentos que comprovam a atividade ilícita. 

"A investigação apontou que alguns servidores públicos do município de Teresina faziam gestão política em favor dessas entidades, facilitando a liberação de valores para essas entidades a partir de parcerias que elas mantinham com o poder público. Essas entidades, algumas vezes prestavam serviço, em outros casos houve simulação do serviço e o valor sendo revertido em favor dessas pessoas que dirigiam os institutos", explicou o delegado. 

Ainda de acordo com o delegado, as servidoras públicas investigadas também atuavam na prestação de contas dos institutos que recebiam recursos da Prefeitura de Teresina de forma irregular, mantendo influência direta sobre a destinação dos recursos. 

"Inicialmente, apenas o Instituto Piauí Gestão era alvo. Com aprofundar das investigações, a gente percebeu que esse grupo possuía proximidade com outros institutos, o que confirmou a nossa suspeita de que as duas servidoras do município faziam gestão política e gestão técnica em favor dessas entidades. Elas facilitavam a liberação de recursos e ajudavam essas entidades, cuidando também da prestação de contas, o que era uma obrigação da entidade. Algumas, eram apenas em nome de pessoas próximas a gestores que usavam essas instituições como plataforma política", detalhou. 

Além da Secretaria de Meio Ambiente, as investigações apontam que as irregularidades também se repetiam em outras pastas da administração municipal. 

De acordo com o delegado Ferdinando Martins, as investigações devem continuar sendo realizadas e os alvos da operação de hoje devem ser indiciados. "Agora, a gente vai intimar todos eles, ouvir e individualizar a conduta e a participação de cada um", disse. 

Outro Lado 

Por meio de nota enviada pela assessoria, o vereador Neto do Angelim (Progressistas) afirmou que sua irmã, Edilene Bezerra, "é  assistente social, servidora pública e presta assessoria à entidades sociais na elaboração de projetos e não na execução dos mesmos". 

"Ao contrário do que foi divulgado, Edilene Bezerra não foi detida, está em casa e se encontra a disposição dos órgãos de fiscalização e controle no intuito de colaborar plenamente com a operação policial no esclarecimento dos fatos", diz a nota. 

Os demais citados não foram localizados pelo Cidadeverde.com. O espaço permanece aberto para esclarecimentos. 

 

Foto: PC-PI

A Polícia Civil do Piauí deflagrou na manhã desta terça-feira (22) a operação Tertium que cumpre 12 mandados de busca e apreensão em endereços ligados a servidores públicos, empresários, organizações da sociedade civil (OSCs) e particulares que integrariam uma associação criminosa que supostamente se beneficiaria com recursos públicos da Prefeitura de Teresina. Durante a investigação foram encontrados indícios de que alguns projetos não eram executados. 

"Na investigação, a Polícia Civil verificou que apenas uma das organizações, alvo dessa diligência, recebeu da Prefeitura de Teresina mais de R$ 1 milhão somente entre os anos de 2018 a 2020, sem dispor de qualquer capacidade técnica ou operacional", informou a Delegacia de Combate à Corrupção (Deccor) que contou com a Diretoria de Inteligência (DINT).

Foto: PC-PI

A investigação aponta que servidores de órgãos do município teriam facilitado a liberação de valores e ainda se beneficiariam com parte dos repasses. 

Participam da operação policiais da Deccor, Depre, Greco, Delegacia de Homicídios e auditores do TCE-PI.

O nome da operação guarda relação com o denominado “terceiro setor”, o qual é formado por organizações privadas que executam atividades a partir de parcerias e ajustes firmados com o poder público.

 

 

 

Graciane Sousa e Natanael Souza
[email protected]

Imprimir