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Membro do COE alerta que Piauí teve fila de espera de pacientes por internação

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O infectologista José Noronha Vieira, membro técnico do Comitê de Operações Emergenciais (COE), chama atenção da população para que assuma a responsabilidade de prevenção ao novo coronavírus, evitando aglomerações e cumprindo medidas que devem virar hábito como o uso de máscara e higienização das mãos. Ele cita a alta de ocupação de leitos de UTIs e que, por algumas vezes, houve até 18 pacientes em fila da central de regulação à espera por internação. O especialista alerta que se não houver consciência da população, devem ser adotadas medidas mais restritivas, a exemplo do toque de recolher decretado pelo governador Wellington Dias.

"Estamos em uma situação em que os maiores hospitais do Piauí estão com taxa de ocupação de seus leitos de UTI de 80, 90 e até 100%. Tivemos alguns dias com 18 pacientes em fila da central de regulação que foi um verdadeiro exercício para garantir que todos esses pacientes fossem atendidos. Desde início estamos falando, fazendo a nossa parte. Mas a população precisa fazer a parte dela. Avisamos para evitar as aglomerações de fim de ano. Hoje estamos aqui sofrendo consequências dessas aglomerações", destaca o infectologista. 

José Noronha alerta sobre a circulação da variante do vírus no país e diz que a população deve denunciar.

"Denuncie quem faz o errado. Ou a gente faz isso ou vamos viver cenas assombrosas no futuros.  Com relação a nova variante, observou-se que de março a novembro não havia caso identificado no Amazonas. Em dezembro tivemos uma amostragem de 45% e janeiro de 85%. Só isso mostra que em dois meses, ela tornou-se a variante mais predominante na região. Existe a possibilidade dessa variante estar no Brasil inteiro, assim como foi detectado no Japão de pessoas que passaram pelo Amazonas. Ou a população se cuida, se protege, evita aglomeração agora ou nada disso que a gente lutou vai ter efeito", alerta Noronha que também é diretor do Instituto de Doenças Tropicais Natan Portela.

DESABASTECIMENTO DE OXIGÊNIO

Noronha destaca a situação do Amazonas, que bate recorde no número de mortes e há falta de oxigênio, devido ao colapso no sistema de saúde que ocorreu logo após aglomerações nas festas de fim de ano. O membro do COE diz que pode ter desabastecimento nacional de oxigênio.

"A nossa rede de oxigênio é ampla e não temos certas dificuldades geográficas com relação ao abastecimento. Mas caso a gente chegue a uma situação caótica, com aumento de internações clínicas e necessidade de cilindros de oxigênio, existe a possibilidade de um desabastecimento nacional. Vamos olhar para Manaus, onde em 26 de dezembro houve uma tentativa de restrição e a população foi às ruas, aglomerou contra isso. Menos de 21 dias depois, tínhamos o Ministério da Saúde fornecendo aviões para transferir pacientes de  um sistema de saúde totalmente colapsado. Ou a população assume a responsabilidade que não pode aglomerar ou essas medidas restritivas vão ter que ser ampliadas. Não podemos deixar de oferecer oxigênio a quem precisa, não podemos deixar de salvar vidas", reitera o infectologista. 

 

Graciane Sousa
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