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“Todos choramos”, diz técnica que ajudou a socorrer paciente no chão da UPA

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Fotos enviadas ao portal Cidadeverde.com


Um paciente morto deitado no chão com os braços abertos, ao seu lado, desolada, aparece uma técnica de enfermagem com a bandeja de primeiros socorros e o desfibrilador também no chão. A imagem chocou os teresinenses e viralizou nas redes sociais nesta sexta-feira (19). A técnica Polyena Silveira, 33 anos, que ajudou no atendimento ao paciente falou ao Cidadeverde.com e informou que foram cerca de 20 minutos ajoelhados no chão tentando reanimar o paciente, que é um idoso de aproximadamente 70 anos.

Ela conta que o paciente chegou na UPA (Unidade de Pronto Atendimento)  entre 16h e 17h da última quarta-feira (17) nos braços de uma pessoa. 

“A pessoa que trouxe o paciente nos braços esperou um lugar para colocar o paciente, mas o cenário que nós estávamos não tínhamos onde colocá-lo a não ser no chão. Não tínhamos leitos e nem maca naquele momento”, afirmou.

A técnica informou que o idoso deu entrada em estado grave com parada respiratória e a equipe que estava de plantão, três técnicas de enfermagem, um médico e uma enfermeira tentou reanima-lo. O idoso foi levado para a Sala Vermelha, que atende pacientes de urgência, e no teste rápido, ele testou negativo para a Covid-19. 

“Ficamos mais de 20 minutos de joelhos tentando reanimar o paciente”, conta. 

A técnica que trabalha há oito anos na rede hospital e presta serviço no HUT (Hospital de Urgência de Teresina) e na Upa do Promotor, conta o sentimento que o abateu quando o idoso morreu. 

“Fiquei sem palavras, sentir dor, e deixei essa dor escorrer pelos olhos e imaginava que poderia ser qualquer pessoa da minha família ali no chão. Ali estava olhando para todos os pacientes graves e fiquei olhando para o cenário e pensei: meu Deus o que é isso? Não temos onde colocar ninguém. Foi um momento de dor, naquele momento fiquei em choque e mais me doía, além de não trazer a vida de volta, foi aquela situação que não é digna de ninguém passar por aquilo ali”. “Quando tudo terminou, todos choramos”, disse. 

Hoje, a profissional, que é casada e mãe de três filhos, gravou um vídeo fazendo apelo à população e descrevendo o desespero que viveu com os colegas de trabalho. 

 

 

 

A capital do Piauí enfrenta crise no atendimento a pacientes e atingiu 100% da ocupação de leitos. A situação se agravou que a prefeitura teve que instalar leitos de UTIs nas UPAs. Hoje, a fila de espera por leito de UTI e enfermaria é de 152 pacientes.

Foto: Arquivo pessoal

Mensagem da técnica de enfermagem:


Tenho dito: Sou outra Polyena desde o início desta maldita pandemia!
Vivemos em uma constante metamorfose...sofremos, lutamos, perdemos, ganhamos para evoluirmos e neste momento não foi diferente. Em oito anos de profissão nunca senti tanta dor como senti neste plantão. Passamos por um momento traumático, nosso país já não tem mais ordem e progresso. A saúde colapsou e nós profissionais da saúde estamos carregando nos braços o peso de um governo corrupto e de uma parte da sociedade, a hipócrita!
Mesmo chegando no meu limite de cansaço físico e psicológico durante uma RCP não desisti, pois Deus renova minhas forças a todo instante.  Sem dúvidas,este momento fará parte de mais uma evolução em minha vida como profissional, mãe, filha, irmã, esposa e amiga.
Parabéns aos meus amigos de profissão,que diante de toda dificuldade que estamos passando continuamos nessa guerra dando o nosso melhor!!

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Flash Yala Sena
[email protected]

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