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Desfile militar em dia do voto impresso dura 10 minutos e tem gritos por intervenção

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Fotos: Marcos Corrêa/PR

O desfile desta terça-feira (10) em frente ao Palácio do Planalto reuniu pela manhã cerca de 40 veículos militares, todos da Marinha, entre blindados, tanques, caminhões e jipes.
A parada militar, realizada no dia da votação da PEC do voto impresso na Câmara dos Deputados e criticada como mais uma tentativa de politização das Forças Armadas, começou por volta de 8h30.

Nesse horário, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) já estava na rampa do Palácio do Planalto, acompanhado dos comandantes das três Forças: Paulo Sérgio (Exército), Almir Garnier (Marinha) e Carlos de Almeida Baptista (Aeronáutica).

Também estavam diversos ministros, entre eles Walter Braga Netto (Defesa), Ciro Nogueira (Casa Civil), Luiz Eduardo Ramos (Secretaria-Geral) e Anderson Torres (Justiça).
Entre os parlamentares, estavam o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros, e o deputado Evair de Melo (PP-ES). O ministro do TST (Tribunal Superior do Trabalho), Ives Gandra da Silva Martins Filho, também compareceu.

Depois do Planalto, o comboio militar seguiu em direção à Esplanada dos Ministérios, um trajeto em que passaram ao lado do edifício do Congresso Nacional.

No início do desfile, que durou aproximadamente 10 minutos, um militar em traje de combate desceu de um dos jipes, subiu a rampa e entregou a Bolsonaro um convite para comparecer a exercício militar da Marinha programado para agosto. A abertura está prevista para a próxima segunda-feira (16).

A chamada Operação Formosa ocorre anualmente desde 1988, mas, de acordo com o Ministério da Defesa, é a primeira vez que o convite ao presidente da República ocorre durante uma parada militar.

Durante a passagem dos veículos, um grupo de dezenas apoiadores de Bolsonaro se reuniu na Praça dos Três Poderes e entoou gritos em defesa da intervenção militar. Eles gritaram "Eu Autorizo" e "142", em referência a dispositivo constitucional que bolsonaristas dizem justificar uma eventual intervenção fardada.

Um dia antes, em meio à polêmica causada pelo desfile de blindados, Bolsonaro postou em suas redes sociais um convite para que autoridades de Brasília, como os presidentes das Casas Legislativas e do Judiciário, recebessem também os veículos militares. Os chefes dos demais Poderes, no entanto, não compareceram.

O desfile dos veículos provocou reação por ocorrer em um momento de tensão institucional, além de ser a data prevista para que a Câmara dos Deputados vote a PEC (proposta de emenda à Constituição) do voto impresso. O presidente já assume a possibilidade de derrota.

Mesmo aliados do presidente reagiram ao evento militar. O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), afirmou que se trata de uma "coincidência trágica" que o desfile dos blindados aconteça no mesmo dia previsto para a votação da PEC.

Após a passagem por Brasília, os veículos militares seguem para Formosa, onde será realizado um grande exercício militar, com a presença de membros não apenas da Marinha como também do Exército e da Aeronáutica.

Embora seja um exercício de adestramento tradicional da Marinha, essa seria a primeira vez que os blindados entrariam em Brasília. Além disso, eles passaram pela Praça dos Três Poderes, em um momento de grande tensão entre os poderes, em particular entre o Executivo e o Judiciário.

ENTENDA A PEC DO VOTO IMPRESSO
O que é
Estabelece a impressão do voto dado pelo eleitor na urna eletrônica. O projeto obriga a expedição de cédulas físicas conferíveis pelo eleitor, que seriam depositadas em uma urna, de forma automática e sem contato manual

Tramitação
Na Câmara, depende da aprovação de ao menos 308 dos 513 deputados, em votação em dois turnos. Depois, segue para o Senado, onde precisa do aval de pelo menos 49 dos 81 parlamentares, também em dois turnos. Se aprovada nas duas Casas, a PEC é promulgada, sem necessidade de sanção presidencial

Fonte:Folhapress

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