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Prontuários são apreendidos em operação contra médico suspeito de cobrar por cirurgias

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Foto: Ascom/Políciacivil

 

O coordenador da Delegacia de Combate à Corrupção (Deccor), Ferdinand Martins, informou ao Cidadeverde.com que cerca de 15 a 20 pacientes eram operados por mês pelo médico cirurgião que cobrava pelos procedimentos cirúrgicos realizados em hospitais públicos no Piauí. O presidente do inquérito policial diz ainda que esses pacientes tinham prioridade em relação aos demais regulados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Na prática, os indícios apontam que, por pagarem por uma cirurgia que deveria ser gratuita, eles acabavam ‘furando a fila’.

"Estamos aprofundando a investigação com o material que foi apreendido. O que a gente observou é que os pacientes que pagavam conseguiam resolver suas demandas. Quem pagava tinha prioridade no atendimento. A gente está levantando nomes de pacientes. Só hoje conseguimos localizar muitos pacientes, mas não sabemos se todos pagavam. Em média, ele operava de 15 a 20 pacientes por mês e, aparentemente, faturava por operar pelo SUS e também com o recebimento da vantagem", explica o coordenador da Deccor.

O médico cirurgião- que tem aproximadamente 50 anos-deveria prestar depoimento nesta quarta-feira (15), mas foi adiado a pedido do próprio investigado. Além dele, um técnico em Enfermagem, ambos servidores públicos efetivos, também é investigado na operação Bisturi que apura a cobrança indevida por cirurgias realizadas pelo SUS. 

O delegado Denis Sampaio, da Deccor, acrescenta que os valores cobrados indevidamente aos pacientes seriam inferiores aos preços de mercado, uma forma para atrair mais pacientes. Os investigados não foram presos, mas afastados.

Entre as cirurgias mais comuns laqueaduras, vasectomias, cirurgia, de hérnia e vesícula. Denis Sampaio, da Deccor, completa que ainda não se sabe o valor arrecadado pelos investigados que agiam, pelo menos, desde 2019. Contudo, os valores por cada cirurgia podiam chegar até a R$ 5 mil. 

"Na residência do médico apreendemos documentos que ainda serão analisados para saber o que interessa à investigação. Já os prontuários foram apreendidos nos próprios hospitais. O valor indevido arrecadado por cada cirurgia ainda será apurado, mas o que sabemos é que eles agiam ao longo de dois anos", explica Denis Sampaio. 

De acordo com a Polícia Civil, as cirurgias eram feitas nos Hospital da Polícia Militar, Hospital do Satélite, Hospital do Dirceu e em outras unidades de saúde do interior, sem o conhecimento da direção das unidades de saúde.

Os dois servidores devem responder por corrupção passiva e, dependendo do curso da investigação, podem ser indiciados por associação criminosa.


Graciane Sousa
[email protected]

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