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F1: Hamilton supera punições, vence GP de São Paulo e encosta em Verstappen

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Na véspera do GP de São Paulo de F1, o piloto Lewis Hamilton postou uma frase que ele tem tatuada no corpo: "Still I rise" ("Ainda assim me levanto", em português). Era o prenúncio de mais uma superação que ele precisaria buscar no Brasil neste domingo (14).

Um feito que se confirmaria com nova grande exibição do inglês, que saiu da décima posição para vencer a etapa brasileira pela terceira vez em sua carreira.

Em um fim de semana no qual foi punido duas vezes, Hamilton conseguiu diminuir a distância para o líder do campeonato, Max Verstappen, que terminou em segundo -o holandês tem 332,5 pontos contra 318,5, restando mais três etapas (Qatar, Arábia Saudita e Abu Dhabi).

Mais do que isso, Hamilton ainda saiu de Interlagos revigorado. Fã declarado de Ayrton Senna, ele cativa uma legião de seguidores no país -carente há anos de um ídolo na F1- por sua identificação com o tricampeão e levantou a torcida quando desfilou com uma bandeira do Brasil após a vitória, inclusive no pódio. Um gesto característico de Senna.

O público, então, gritou: "olê, olê, olê, olâ, Senna, Senna".

"Esse país é maravilho. Desde a corrida de Silvertone eu não tinha uma torcida assim. Eu tive um fim de semana muito difícil, mas eu agradeço muito a essa torcida. A equipe e o Valtteri [Bottas], nós fizemos um grande trabalho", afirmou o heptacampeão, com a voz embargada e os olhos marejados.

Desde sexta-feira (12), o britânico já era muito festejado no autódromo paulista. Primeiro, ele fez a pole no treino que definiu o grid da corrida sprint. Após ser punido, porém, teve de largar em último no sábado (13), no novo formato de classificação, realizado pela primeira vez no país.

Em apenas 24 voltas, a duração da sprint, o piloto da Mercedes ganhou uma série de posições e terminou em quinto. Como ele trocou o motor de combustão de seu carro, teria uma nova punição para a prova final, perdendo cinco posições no grid. Por isso, largou em décimo neste domingo.

As adversidades motivaram o heptacampeão, que soube aproveitar o fato de os carros da Mercedes terem mais velocidade do que os da Red Bull no circuito de São Paulo.

O desenho da corrida começou a ganhar forma logo nas primeiras 15 voltas. Enquanto o holandês tomou a primeira posição de Bottas, Hamilton escalou o grid e, depois de sair em décimo, chegou rapidamente à segunda posição, com Bottas em terceiro e Pérez em quarto.

Ao longo de boa parte da etapa, os dois primeiros colocados andaram separados por apenas um segundo em média. Na volta 48, o inglês chegou a ultrapassar o rival, mas o holandês jogou o carro para cima do adversário, os dois saíram da pista, e o líder do Mundial recuperou a primeira posição.

A manobra foi analisada pelos comissários, que descartaram uma punição a Verstappen.

Curiosamente, os mesmos responsáveis por isentá-lo de uma punição foram ironizados pelo piloto da Red Bull no sábado, quando ele foi multado por tocar no carro da Mercedes. O holandês disse para os comissários terem um "bom jantar com vinho caro" e acrescentou: "Podem me convidar para o jantar também. Vou pagar por ele."

Na volta 59 (de um total de 71), o líder da temporada não conseguiu mais fechar a porta e Hamilton tomou a primeira posição.

"Ainda temos uma vantagem decente, então hoje foi sobre a limitação de danos. Estou confiante de que voltaremos mais fortes nas próximas corridas", afirmou o holandês.

Com um carro mais rápido, Hamilton abriu uma vantagem confortável para conduzir a corrida e conquistar sua 101ª vitória na F1. De quebra, recebeu a bandeirada de Rebeca Andrade.

A ginasta, primeira brasileira a ganhar duas medalhas na mesma edição olímpica (conquistou um ouro e uma prata em Tóquio), foi convidada a participar da cerimônia em Interlagos.

Os fãs, aliás, estavam ansiosos pelo retorno da categoria. Em 2020, não houve corrida em São Paulo em razão da pandemia de Covid-19. Na última prova no país, em 2019, Verstappen foi o vencedor.

Com a liberação para São Paulo ter eventos com 100% da capacidade de público, conforme determinou o protocolo de flexibilização definido pelo governo do estado no início do mês, a organização da F1 estimou ter um total de 170 mil pessoas no autódromo ao longo dos três dias de evento.

Até a publicação deste texto, o número oficial de presentes ainda não havia sido divulgado. Foi possível observar, porém, que todas as arquibancadas estavam lotadas, sobretudo neste domingo.

De acordo com o governador João Doria, foi o maior evento em São Paulo durante a pandemia. "Esse é o primeiro grande evento em São Paulo, praticamente, em dois anos, que nós estávamos promovendo junto à F1.

É o maior [evento] sim, é praticamente a retomada, com obediência aos critérios e protocolos sanitários, como vacina, como máscaras", afirmou.

Nas arquibancadas, no entanto, muitos torcedores foram flagrados sem o uso de máscaras. Para entrar no autódromo, todos tiveram de comprovar terem tomado, ao menos, uma dose das vacinas contra a Covid.

A próxima etapa da F1, no Qatar, será no dia 21 de novembro.

Fonte: Folhapress

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