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Grêmio cai pela terceira vez e vai disputar a Série B do Brasileiro em 2022

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O Grêmio entrou pela primeira vez na zona de rebaixamento deste ano na quarta rodada do Campeonato Brasileiro. Poderia parecer algo passageiro. Não foi. A equipe gaúcha venceu o campeão Atlético-MG na noite de quarta-feira (9), por 4 a 3, o resultado não foi suficiente para evitar sua terceira queda na história.

Foto: Lucas Uebel | Grêmio FBPA 

Para escapar, os gaúchos precisavam contar com derrotas de Bahia e Juventude. O Bahia perdeu para o Fortaleza por 2 a 1, mas o Juventude bateu o Corinthians por 1 a 0 e permanece na elite.

Os tricolores do Rio Grande do Sul, com 43 pontos e na 17ª colocação, foram rebaixados ao lado de Bahia, Sport e Chapecoense. Eles já haviam caído em 1991 e em 2004.

Para o descenso em 2021, repetiu a fórmula de outros grandes do país que não acreditaram ser possível cair. Em declarações da diretoria, o time era considerado "bom demais" para não permanecer na elite.

No elenco, estão jogadores caros como Rafinha (ex-Bayern de Munique e campeão da Libertadores de 2019 com o Flamengo), Geromel e Kannemann (a dupla de zaga campeã continental de 2017 com o clube), Douglas Costa (ex-Bayern e seleção brasileira), Borja e Diego Souza.

Esse grupo de atletas, porém, não foi suficiente para evitar que em 2022 a equipe tenha de disputar a segunda divisão.

Depois de entrar na zona de degola ainda na quarta rodada, saiu na semana seguinte. Entrou de novo na oitava e, desde então, em apenas uma rodada, a 22ª, não ficou entre os quatro piores do Brasileiro.

A equipe tricolor encerra a temporada sob comando do quarto treinador. Começou o ano com Renato Gaúcho, depois teve Tiago Nunes e Luiz Felipe Scolari. Por último, a diretoria apostou em Vagner Mancini, que fazia um trabalho razoável no América-MG.

Em campo, a principal contratação do clube, Douglas Costa, não vingou. E, às vésperas da decisão contra o Atlético-MG, o meia pediu dispensa para realizar a sua festa de casamento no Rio de Janeiro.

A diretoria não atendeu ao desejo do jogador, que removeu de suas redes sociais fotos com a camisa do clube que o revelou. Nesta quinta, Douglas Costa foi aplaudido pela torcida durante o aquecimento e retribuiu da mesma forma.

Nos primeiros minutos, o Grêmio parecia perto de um milagre. Abriu 3 a 0 diante dos reservas do Atlético-MG na etapa inicial, com dois gols de Diego Souza, aos 6 e aos 20 minutos, e outro de Campaz, aos 11.

Ao mesmo tempo, o Bahia abriu o placar contra o Fortaleza, resultado que aniquilava toda a obra dos gremistas. O clima de velório das arquibancadas chegou aos gramados. O Grêmio caiu de rendimento, e o time mineiro descontou com Dodô, aos 26, e Vargas, aos 35 do primeiro tempo.

Na ida para o vestiário, Rafinha e Thiago Santos trocaram empurrões no gramado. "O time ficou aéreo, querendo saber o que está acontecendo fora de campo. O Mancini tem que dar uma chamada", reclamou Diego Souza.

Na etapa final, a equipe alvinegra começou melhor, mas Douglas Costa fez o quarto gol e, na comemoração, apontou para sua camisa e gesticulou com "tchau" em direção aos torcedores. Aos 41, Borja teve a oportunidade de fazer o quinto, mas isolou a bola em cobrança de pênalti.

A torcida gremista, que havia se calado com o gol do Juventude sobre o Corinthians, vaiou Borja com veemência. Hyoran fez o terceiro gol atleticano aos 45.

Embora o Grêmio não tenha sido o primeiro campeão brasileiro a ser rebaixado, foi o primeiro considerado grande do Sul-Sudeste a passar por isso.

Em 1991, tal qual em 2021, acreditava-se que o time possuía qualidade suficiente para não cair. Tinha Assis, irmão de Ronaldinho Gaúcho, no meio-campo. A dupla de ataque era formada por Maurício e Nilson. Caiu mesmo assim.

A volta no ano seguinte foi bem mais fácil do que deverá ser em 2022. A CBF mudou a regra pouco antes do início da segunda divisão de 1992. Em vez de dois clubes, seriam promovidos 12. O Grêmio terminou em nono lugar e subiu.

Após cair em 2004, a equipe viveu no ano seguinte, na Série B, um dos momentos mais dramáticos e memoráveis de sua história.

Na última rodada da fase final, em partida que ficou conhecida como Batalha dos Aflitos, retornou à Série A ao derrotar o Náutico por 1 a 0, no Recife, apesar de estar com apenas oito jogadores em campo e do adversário ter perdido dois pênaltis.

A queda de um grande do país deixou de ser novidade e se tornou fato corriqueiro a partir de 2003, quando foi instituído o sistema de pontos corridos.

Até 2002, aconteceram 13 quedas de campeões brasileiros, que nem sempre, por mudanças de regulamento, tiveram de jogar a segunda divisão na temporada seguinte. No formato atual de disputa, aconteceram 26 rebaixamentos de agremiações que levantaram o troféu na elite do país.

Entre os campeões nacionais, apenas Flamengo, Santos e São Paulo jamais caíram. A última vez que a Série A terminou sem um vencedor do Brasileiro entre os rebaixados foi na edição de 2010.

Fonte: Folhapress

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