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Comitê científico do NE repudia consulta pública do MS sobre vacinação de crianças

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Foto: Roberta Aline / Cidadeverde.com 

O Comitê Científico de Combate ao Coronavírus do Consórcio Nordeste emitiu, na última sexta-feira (24), uma nota repudiando a consulta pública sobre a vacinação de crianças de 5 a 11 anos de idade contra a Covid-19 aberta pelo Ministério da Saúde (MS), que deverá nortear a posição da pasta sobre quais medidas irá adotar sobre o tema.

No documento, assinado pelo infectologista José Noronha, diretor do Hospital de Doenças Tropicais Natan Portella, em Teresina, os especialistas do colegiado contestam a posição tomada pelo MS e lembra que diversas autoridades sanitárias e científicas do país já atestaram a segurança da imunização deste público.

O grupo pontuou que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária recomendou ao Governo Federal o início da vacinação de crianças no Brasil, assim como ocorre em outros países. Nos Estados Unidos, por exemplo, sua agência reguladora aprovou o uso das vacinas já aplicadas em sete milhões de crianças que, em 97%, apresentaram efeitos adversos classificados como não sérios como febre, dor de cabeça, vômitos, fadiga e perda de apetite.

“Estes dados preliminares demonstram um risco muito pequeno de eventos adversos, comparado com o risco previamente observado em adolescentes e adultos jovens após a vacinação. Portanto, os benefícios são muito maiores do que os riscos, pilar central de avaliação de qualquer vacina incorporada pelos diversos programas de vacinação, seja no Brasil ou no mundo”, afirma o comitê.

A nota ainda ressalta que a Câmara Técnica de Assessoramento em Imunização da Covid-19 (CTAI-COVID), que é vinculada ao MS, já havia endossado de forma unânime endossou a decisão da Anvisa, com base nos dados epidemiológicos alarmantes acerca dos casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) e Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P) de crianças entre 0 e 11 anos de idade.

O Comitê conclui afirmando que não há justificativa científica, médica ou técnica para a consulta pública que está sendo realizada pelo MS, recomendando ao órgão urgência no início da vacinação desta faixa etária no país, sobretudo tendo em vista a ômicron. “Apresenta maior transmissibilidade, o que torna as crianças um grupo com maior risco de infecção, conforme vem sendo observado em outros países onde há transmissão comunitária desta variante”, finaliza o documento.

A consulta
Iniciada na última quinta-feira (23), a consulta pública sobre o tema deve ser finalizada no dia 2 de janeiro de 2022. Segundo o MS, que recomendou a imunização de crianças contra a Covid-19 apenas com a autorização dos pais ou responsáveis e prescrição médica, a iniciativa tem “foco na transparência e no diálogo”, com o objetivo de informar e conhecer as dúvidas da população sobre a vacinação deste público. 

 

Breno Moreno
[email protected]

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