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Ribeirinhos são mortos em chacina em área de desmatamento no PA

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Em nota subscrita por 48 entidades, a CPT (Comissão Pastoral da Terra) e a SDDH (Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos) cobraram o esclarecimento rápido da chacina de uma família de três ribeirinhos no município de São Félix do Xingu, a 1.050 km a sudoeste de Belém.

Os corpos de José Gomes, o Zé do Lago, 61, sua mulher Márcia Nunes Lisboa, 39, e a filha Joane Nunes Lisboa, 17, foram encontrados no último domingo (9), em volta da casa da família, na ilha da Cachoeira do Mucura, no rio Xingu. Todos foram baleados. Foram encontradas 18 cápsulas.

Essas informações foram coletadas pela CPT. Por meio da assessoria de imprensa, a Polícia Civil disse à reportagem que não pode confirmar nem sequer o nome e a idade das vítimas "para não atrapalhar o andamento das investigações".

"Pelo tipo de arma, pela quantidade de tiros disparados, por não ter sido levado nenhum pertence da família, pela forma como os assassinos surpreenderam as vítimas não permitindo que alguém corresse e tentasse escapar, trata-se de uma execução, provavelmente, a mando de alguém", afirma a nota encabeçada pela CPT, ligada à Igreja Católica.

A família do Zé do Lago morava na região havia cerca de 20 anos e participava de um projeto de reprodução de tartarugas.
Segundo a CPT, a área faz parte da APA (Área de Proteção Ambiental) Triunfo do Xingu, de gestão estadual. Trata-se de uma das unidades de conservação com mais desmatamento da Amazônia Legal, segundo o monitoramento do Imazon (Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia).

São Félix é o município com o maior rebanho bovino do país, com 2,4 milhões de cabeças de gado em 2020, segundo o IBGE.
Nas últimas quatro décadas, 62 trabalhadores e lideranças rurais foram assassinados em São Félix. Nenhum desses crimes foi levado a julgamento, segundo levantamento do CPT.

Diante da repercussão do caso, o governador Helder Barbalho (MDB) afirmou, em sua conta no Twitter, que conversou com o delegado-geral da Polícia Civil do Pará sobre o caso e que foi aberto um inquérito para investigar a chacina. Até a conclusão deste texto, ninguém havia sido preso.

A nota da CPT aponta uma falta de respostas para o problema das mortes no campo.

"Em maio de 2021, a CPT e a SDDH apresentaram à Segup (Secretaria de Segurança Pública), uma relação de nove lideranças camponesas, assassinadas entre 2017 e 2021 apenas nas regiões sul e sudeste do Estado em que os crimes não tinham sido ainda esclarecidos e os responsáveis identificados e punidos. O Secretário de Segurança Pública solicitou 15 dias para dar uma resposta, mas, passados oito meses, nenhuma resposta foi dada", diz o texto.

Fonte: Folhapress

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