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Advogado relata sub-representatividade de evangélicos no Poder Judiciário no Piauí

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Foto: Divulgação

O advogado criminalista Alexander Barroso é um dos principais articuladores da pauta evangélica dentro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Residindo no estado de Minas Gerais, ele visitou o Piauí neste fim de semana e participou da posse do presidente reeleito da Seccional Piauí, Celso Barros Coelho Neto. 

Em entrevista, o jurista comemora a ascensão de advogados evangélicos dentro da OAB-PI e revela preconceito sofrido dentro das instituições. 

“Os evangélicos já têm uma representação que condiz sua proporção na sociedade, já se figuram representados no legislativo municipal, estadual e federal, nas vinte e sete unidades da federação, no poder executivo. Mas, são sub-representados nos espaços de poder judiciário, nos tribunais de justiça, nos tribunais federais, nos tribunais regionais do trabalho”, afirmou o advogado. 

Em visita a um dos estados mais católicos do Brasil, Alexander fala que não acumula numerosas aresta com os seguidores da Igreja Católica e admite uma convergência na maioria das pautas. Para ele, o problema é mais estrutural e histórico, um problema que dá espaço para o preconceito existir e se multiplicar. 

“Eu sofro preconceito, mas sofro muito menos do que pessoas com idades mais avançadas sofreram no passado. Ainda há o preconceito e isso é inconteste. Nós vimos recentemente que por uma nomeação de um ministro do Supremo Tribunal Federal ser de um evangélico, uma demora de quase 150 dias para sabatina acontecer. 

Uma discussão tão acalorada na questão da religiosidade dele. São onze ministros, tem ministro católico, tem ministro judeu, tem ministro ateu, tem ministro espírita e não tinha nenhum evangélico, sendo que quase 40% da população, hoje, declara-se evangélica”, pontuou Alexander Barroso. 

Mas por que o Piauí?

O advogado revela ter admiração pelo trabalho desempenhado por Celso Barros. Ele acompanhou de perto alguns setores nos últimos três anos e destaca os inúmeros avanços conquistados pela Comissão de Direito Previdenciário, Comissão de Defesa das Prerrogativas e Comissão de Direito e saúde. 

Além disso, na chapa comandada por Barros foram eleitos diversos evangélicos como a secretária-geral Raylena Alencar, a conselheira federal Jamile Leite e o advogado Josélio Oliveira que agora é diretor-tesoureiro da Caixa de Assistência aos Advogados do Piauí (CAAPI). 

“Fizemos um acordo em prol da advocacia, em prol da melhoria da vida do advogado, acordos a luz do dia, não tiveram acordos escusos. É um compromisso do Celso (Barros) também com esse pleito, diminuir a sub-representação dos evangelhos nos espaços do judiciário, e nós acreditamos que esses compromissos vão ser cumpridos por ele, por sua diretoria e pelo seu conselho federal”, declarou Alexander Barroso.

O jurista acredita que a disseminação dos valores evangélicos é algo em constante ascensão no país, mas essa não é a sua única causa. A independência dos movimentos ideológicos sem o envolvimento de partidos políticos é algo que ele também valoriza. Em total consonância com as prioridades do presidente da OAB-PI, existe ainda a luta pelo respeito das prerrogativas da advocacia.  

“Então, eu acho que o Celso avançou muito na questão da infraestrutura, das subseções, no atendimento ao advogado do interior, no cuidado com a capacitação dos advogados, ofertando pós-graduações de forma até gratuita lá na Escola Superior de Advocacia do Piauí. 

Mas, eu acho que esse ponto central que é a defesa da valorização da advocacia e a defesa das prerrogativas do advogado. A OAB não consegue lutar sozinha mais. Nenhuma OAB do país. Nenhuma das seccionais consegue vencer essa batalha sozinha. Essa discussão precisa ganhar a sociedade e precisa do apoio de outros atores”, finalizou o advogado.

Da redacão
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