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Atletas se unem em boicote e esvaziam novo circuito do vôlei de praia

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Apenas 13 duplas femininas e 22 masculinas estão listadas para participar da primeira parada do Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia de 2022, em evento que deveria ter começado na quarta-feira (2) em Saquarema, no Rio de Janeiro.

Descontentes com o novo regulamento, mais de 100 atletas estão boicotando o torneio, que não teve qualifying por falta de inscritos. Na última etapa disputada no Rio, no ano passado, participaram 50 duplas masculinas e 52 femininas.

O número real de duplas inscritas, porém, parece ser ainda menor. Logo no primeiro jogo da competição, nesta quinta (3), Julio Cezar e Luiz Felipe deram WO. Pelo Instagram, eles disseram que não se inscreveram no torneio e tiveram seus nomes colocados na chave a contragosto pela CBV (Confederação Brasileira de Voleibol) -e só descobriram isso na quarta, quando a tabela foi revelada. A confederação nega.

Entre as reclamações está principalmente o qualifying, que, pelo regulamento, teria apenas um set de até 25 pontos na primeira rodada, e melhor de três sets de 15 pontos na segunda. Apenas na terceira fase é que os jogos teriam as regras oficiais do vôlei de praia: três sets de 21 pontos. Até o ano passado, o quali tinha jogos completos.

Duplas que estão começando no vôlei de praia e que têm de pagar suas despesas no torneio viajariam com forte risco de não ficarem nem meia hora na quadra. A CBV alega que não há recursos para fazer um qualifying maior, o que demandaria mais quadras, mais árbitros e mais estrutura, ou mais dias, o que também é um custo.

O regulamento do circuito prevê um quali com 38 duplas inscritas e dois convites, sempre jogado às quartas-feiras. As oito melhores duplas avançariam ao novo "Torneio Open", jogado nas quintas e sextas pelas duplas posicionadas entre o 8º e o 14º lugares do ranking nacional, mais dois convites. 

Quem vencer o Open entra no torneio "Top 8", que teria as sete melhores duplas no ranking. Até o ano passado, havia um torneio único, com 24 duplas, das quais oito vindas do quali.

Diante do boicote, a etapa de Saquarema já não teve qualifying. Só seis duplas vão participar do Open no feminino, com a campeã avançando ao Top 8. A CBV ainda não divulgou quais duplas se inscreveram para estar neste evento principal.

Em release à imprensa, citou apenas Talita/Rebecca e a dupla Nina/Carol Sallaberry. O ranking que poderia dizer qual a posição delas foi tirado do site da CBV.

No masculino o Open terá a participação de 15 duplas, uma a menos do que o previsto. No total, são 22 inscrições, contando as sete duplas que entram direto no Top 8, que não foram reveladas. 

Entre os inscritos, que vão disputar o torneio principal, a CBV citou Arthur/Adrielson, Nico/Samuel e Gabriel Zuliani/Mateus Dultra. Álvaro Filho/Evandro também estaria inscrita, mas o bloqueador machucou o dedo da mão e precisou passar por cirurgia.

A comissão de atletas do vôlei de praia, presidida pelo ex-jogador Carlão Arruda, alega que não foi consultada sobre as mudanças no regulamento. Os jogadores dizem que ficaram sabendo das novidades por um release disparado à imprensa em dezembro, inicialmente, não se opuseram, depois registraram por e-mail o interesse em discutir as mudanças, e foram ignorados pela confederação.

Os jogadores reclamam que a CBV tenta colar neles a ideia de mercenários, alegando que a reclamação é pelo fato de a premiação dos torneios ser menor do que a inicialmente divulgada pela confederação, mas maior do que nos anos anteriores. Na semana passada, diversos jogadores publicaram nas redes sociais uma mensagem dizendo "Não somos mercenários".

"Somos contra o sistema novo que está sendo imposto porque o erro não está no nosso circuito. Precisamos de aumento na premiação e não a diminuição como anda acontecendo.

Qual atleta novo vai querer investir num esporte que hoje não consegue dar o retorno financeiro investido? Nossa premiação não pode ser retirada, nosso sistema não pode ser modificado como desculpa de renovação", disseram.

A CBV, porém, rejeita qualquer tipo de mudança no formato já anunciado. "O novo sistema traz emoção, tira os atletas da zona de conforto sem tirar a possibilidade de atletas excepcionais ascenderem no ranking. 

Toda mudança pode causar desconforto no começo, o vôlei inclusive já passou por várias e importantes alterações de formato e regras", disse, em texto enviado pela assessoria de imprensa da CBV, o gerente de vôlei de praia Guilherme Marques, ex-jogador, que vem sendo apontado pelos atletas como responsável pelas mudanças criticadas.

Confira nota da CBV sobre a alegação de que uma dupla foi inscrita a contragosto:

"De acordo com os registros do sistema da CBV, a inscrição da dupla Júlio Cesar/Luiz Felipe na primeira etapa do Circuito Brasileiro foi feita em acesso externo à CBV, por meio do login de acesso do próprio Júlio Cesar, no dia 18/1/2022, às 14h15. 

A dupla recebeu normalmente um e-mail de confirmação e não apontou qualquer tipo de erro nessa ocasião. Não houve qualquer comunicado posterior sobre desistência de participação, e por isso a dupla foi incluída normalmente na chave da competição. 

As acusações, feitas convenientemente na véspera do início da competição, são surpreendentes, já que em cerca de 80 eventos realizados com a utilização desse sistema, jamais houve problema na inscrição dos participantes. 

A CBV reitera que desde o início das inscrições respeitou as decisões pessoais de cada atleta, incluindo os que fazem parte do Top 8, e não haveria motivo de não fazer o mesmo em relação à dupla citada, em caso de comunicação de desistência.

A CBV repudia veementemente ataques gratuitos à entidade baseados em informações falsas; e não entende como 'tentativa de diálogo' qualquer atitude como essa."

Fonte: UOL/FOLHAPRESS

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