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EUA faz novo aceno contra Rússia em visita de Pelosi à Ucrânia

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Foto: Pedro Ladeira/ Folhapress

A presidente da Câmara de Representantes dos EUA, Nancy Pelosi, reuniu-se com o líder da Ucrânia, Volodimir Zelenski, durante uma visita surpresa a Kiev neste domingo (1º). Trata-se da mais alta autoridade política americana a viajar para a Ucrânia desde o início da guerra contra a Rússia.

"Agradeço aos EUA por ajudarem a proteger a soberania e a integridade territorial do nosso Estado", escreveu Zelenski no Twitter, numa mensagem junto com um vídeo que mostra ele, cercado de guardas armados, recebendo Pelosi e a delegação do Congresso dos EUA na entrada da Presidência em Kiev.

A presidente da Câmara dos EUA, a democrata Nancy Pelosi, recebe a medalha da ordem da princesa Olga do líder ucraniano, Volodimir Zelenski, após reunião em Em nota, a delegação americana, que logo viajará ao sudeste da Polônia e para Varsóvia, afirmou ter realizado a visita "para enviar uma mensagem inequívoca e retumbante ao mundo: os EUA estão com a Ucrânia".

"Um apoio adicional americanos está a caminho", destacaram os legisladores, dizendo que "vão converter a demanda de financiamento do presidente [Joe] Biden em um pacote legislativo".

Pelosi, por sua vez, condenou a "invasão diabólica" liderada pelo líder russo, Vladimir Putin.

Em uma dramática escalada dos esforços dos EUA contra a Rússia, o democrata pediu na última quinta (28) US$ 33 bilhões (cerca de R$ 166,6 bilhões) ao Congresso americano em ajuda à Ucrânia, além de novas ferramentais legais que permitam endurecer sanções e esvaziar bens de oligarcas russos.

A ampla solicitação de financiamento inclui mais de US$ 20 bilhões (R$ 100,7 bilhões) para armas, munições e outros tipos de assistência militar e US$ 8,5 bilhões (R$ 42,8 bilhões) em ajuda econômica direta ao governo em Kiev, além de US$ 3 bilhões (R$ 15,1 bilhões) para auxílio humanitário e alimentar.

A Rússia, que já havia alertados os EUA a "não continuarem testando a paciência" de Moscou, numa referência à visita a Kiev dos secretários de Estado, Antony Blinken, e de Defesa, Lloyd Austin, afirmou neste sábado (30), por meio de seu chanceler, Serguei Lavrov, que, se Washington e outros aliados da Otan estão realmente interessados em resolver o conflito, devem parar de enviar armas para a Ucrânia.

Durante a passagem pela Ucrânia, Blinken e Austin anunciaram o retorno progressivo da presença diplomática americana no país e uma ajuda adicional, direta e indireta, de mais de US$ 700 milhões.

Em uma demonstração prática de sua retórica, neste domingo o Ministério da Defesa russo confirmou ter conduzido um ataque com mísseis contra um aeródromo militar perto da cidade portuária de Odessa, destruindo uma pista e um hangar com armas e munições fornecidas pelos EUA e por países europeus.

No sábado, a Ucrânia já havia dito que mísseis russos derrubaram uma pista recém-construída no principal aeroporto de Odessa - não ficou claro se as autoridades ucranianas estavam se referindo ao mesmo incidente, e a agência de notícias Reuters não pôde verificar imediatamente as afirmações.

Ainda que Biden e parceiros ocidentais tenham insistido reiteradamente que não participariam da guerra, citando o risco de a disputa descambar para o uso de armas nucleares, no segundo dia do conflito já havia uma engrenagem de ajuda militar em curso. Ela já superou os US$ 7 bilhões, quase o dobro do orçamento de defesa anual de Kiev, US$ 3,7 bilhões só dos EUA.

Zelenski agradeceu os "sinais muito importantes" dados pelos EUA e por Biden, entre os quais um programa similar ao criado durante a Segunda Guerra Mundial para proporcionar a países aliados equipamento militar sem, em tese, intervir diretamente no conflito.

O ato do Lend-Lease (Empréstimo-Arrendamento) remete a iniciativa semelhante de março de 1941, quando os EUA passaram a ajudar os rivais da Alemanha nazista, como Reino Unido e União Soviética, com alimentos, armas e transferência tecnológica. Naquele momento, os americanos passaram a ser vistos como hostis de fato ao Eixo, embora jurasse que não queria ver a Segunda Guerra de perto.

Fonte: Folhapress

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