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Sem energia, bar na coroa do rio Parnaíba conserva produtos usando gelo

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Fotos: Renato Andrade/Cidadeverde.com

A barraca construída na coroa do Rio Parnaíba, conhecida popularmente como Jericoroa, está funcionando há cerca de um mês sem energia elétrica. A situação tem causado a insatisfação dos proprietários do empreendimento familiar iniciado há cerca de 50 anos atrás. 

Segundo José Pinheiro e Keila Pinheiro, donos do estabelecimento, a solicitação de uma nova ligação elétrica foi solicitada no último dia 29 de maio, ocasião em que receberam a primeira negativa da Equatorial Piauí, concessionária responsável pelo serviço no estado. 

Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

Naquela oportunidade, a empresa teria alegado que a barraca não teria as autorizações necessárias para o seu funcionamento. No entanto, o cenário se manteve mesmo após pagamento de taxas de cerca de R$ 500 na Superintendência de Ações Administrativas Descentralizadas (SAAD) Centro.

"Eles negaram. Conseguimos a licença da prefeitura, mas a Equatorial disse que não iria ligar nem com a licença. Eles falaram que é uma área de risco, mas não vieram aqui, não fizeram vistoria na barraca, só tiraram fotos", relatou Keila ao Cidadeverde.com.

Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

O bar, que tem como uma das suas principais atrações a venda de pratos à base de peixes pescados no próprio rio, tem acumulado dificuldade para preservar os produtos comercializados ali. O temor é que o problema afete o atendimento aos clientes.

“Como vamos trabalhar sem energia? Não estamos mais servindo tira gosto, porque não tem como armazenar os produtos. Tenho cinco freezers mas só uso um com gelo, no maior sacrifício, carregando 40 quilos de gelo nas costas toda manhã”, contou José. 

Foto: Renato Andrade/Cidadeverde.com

O proprietário da Jericoroa explica que em outras épocas a ligação de energia elétrica era feita em Timon, mas como a faixa de areia ficou mais próxima de Teresina esse ano, achou mais seguro solicitar o serviço em Teresina.

“Como o canal ficou do lado de Timon, o lançamento por cima da água ficaria a uns 300 metros. Não quis puxar por minha conta, porque achei que ficava muito longo. Do lado de Teresina só fica a 80 metros e não tem perigo de nada”, avaliou o barraqueiro.

Foto: Renato Andrade/Cidadeverde.com

Apesar da demora para conseguir a ligação elétrica, o casal informou ao Cidadeverde.com que a Equatorial Piauí se comprometeu a realizar o serviço até esta sexta-feira (01). Nossa reportagem tentou contato com a empresa, mas não obteve esclarecimentos sobre o caso.

“Fechar eu não posso, porque é meu ganha pão. Aqui o muito ou pouco no gelo vai ser um sofrimento, o cliente não vai ser bem atendido e vou ser obrigado a trabalhar no escuro até dezembro, porque não tenho outra fonte de renda”, concluiu José Pinheiro.

Outro lado

Procurada pelo Cidadeverde.com, a Equatorial Piauí se manifestou sobre a situação através de nota de esclarecimento: 

NOTA DE ESCLARECIMENTO

A Equatorial Piauí informa que recebeu solicitação de ligação para um ponto comercial ao lado do Troca Troca, no Centro de Teresina. Contudo, ao enviar equipe para execução do serviço, foi identificado que não existia no local um imóvel associado à ligação solicitada e que a conexão com a rede da Equatorial seria para uma derivação da fiação sobre a água para uma barraca instalada na coroa no meio do Rio Parnaiba. 

A Distribuidora, então, não realizou a ligação do ponto citado, uma vez que a instalação para a barraca não atende aos critérios técnicos e de segurança, pois a fiação ficaria exposta sobre a água e próxima a uma área com fluxo de embarcações e potencial risco de acidentes.

Vale destacar que ligações de energia elétrica em áreas costeiras e de rios, seguem os critérios da legislação ambiental e de marinha.

 

 

 

Breno Moreno
[email protected]

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