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Presidente de Portugal encontra Lula em São Paulo

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Após se encontrar com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em São Paulo, o presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, afirmou neste domingo (3) que ainda não sabe se o líder brasileiro, Jair Bolsonaro (PL), vai manter a reunião marcada com ele para esta segunda, em Brasília.

Apesar de Bolsonaro ter dito na sexta que cancelaria o encontro após saber que Rebelo se reuniria com Lula, a comitiva portuguesa não foi informada oficialmente do cancelamento, e o evento segue na programação da viagem. ?

Rebelo, no país para a celebração do centenário do primeiro voo transatlântico Portugal-Brasil, disse que se não receber uma confirmação até o fim desta tarde, partirá para um "plano B" e ficará mais um dia em São Paulo.

"Houve um convite escrito, aceitei por escrito. Vou ficar no programa originário", disse ele à imprensa. Um pouco depois, admitiu que está reprogramando a agenda para o caso de o encontro com Bolsonaro não ser confirmado. "Se até o começo da tarde não houver uma confirmação por escrito, fico por São Paulo."

A reunião com Rebelo, marcada originalmente para as 10h30 no Itamaraty e que seria seguida de um almoço às 12h, não constava da agenda oficial de Bolsonaro na tarde deste domingo. ?
Rebelo afirmou que não tratou do tema com Lula, nem da campanha eleitoral no Brasil. Segundo ele, ambos conversaram sobre a Guerra da Ucrânia e seus impactos geopolíticos e sociais no mundo. O petista não deu declarações após a reunião, realizada na residência oficial do cônsul português.

O presidente português negou que o episódio tenha gerado um incidente diplomático entre os países. "Como chefe de Estado, não alterou nada meu relacionamento com o chefe de Estado brasileiro, nem do Estado português com o Estado brasileiro nem no relacionamento entre os povos português e brasileiro."

Questionado se não previu que a reunião com Lula -principal adversário do atual presidente na eleição deste ano- poderia gerar mal-estar, Rebelo afirmou que a programação de sua visita é celebratória, que já havia encontrado ex-líderes em outras viagens e que oficialmente não há campanha eleitoral no Brasil. "As candidaturas serão só em 6 de agosto. Portanto, não há candidatos. Não há nem sequer período eleitoral."

Rebelo negou que seu encontro com o ex-presidente seja uma tomada de posição de seu governo em relação à eleição brasileira. "Falei com o ex-presidente Lula como já havia falado há um ano. Falarei com [Michel] Temer, Fernando Henrique [Cardoso], todos os ex-presidentes." Ele disse que pretende voltar ao Brasil em setembro e que, nesse caso, agirá de forma diferente. "A campanha estará correndo."

Após a reunião com Lula, Rebelo visitaria a Bienal do Livro e, como anunciou, encontraria-se com os ex-presidentes Temer (MDB) e FHC (PSDB). Segundo o líder português, se o almoço com Bolsonaro for cancelado e ele ficar em São Paulo, talvez remarque a conversa com o tucano para a segunda-feira.

Antes de embarcar para o Brasil, no aeroporto de Lisboa, logo após Bolsonaro dizer que desistiria do almoço, o líder luso afirmou que "não vale perder um segundo com um almoço quando há amizade entre os povos". "Quem convida é quem pode decidir se mantém ou não o almoço", afirmou o presidente português, que não descartou um novo almoço com Bolsonaro "daqui a alguns meses, meio ano".

Como presidente, Rebelo é chefe de Estado de Portugal. O comando de governo é exercido pelo primeiro-ministro, o socialista António Costa. Trata-se da segunda vez que ele vem ao Brasil em menos de um ano -em julho de 2021, participou da reabertura do Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo.

Apesar de Portugal manter importantes laços econômicos, sociais e culturais com o Brasil, as relações entre os líderes dos dois países mantiveram-se distantes durante a gestão Bolsonaro. O presidente brasileiro, por exemplo, até o momento não visitou Portugal durante seu mandato -ao contrário de todos os líderes desde a redemocratização, com exceção de Itamar Franco.

A passagem anterior de Rebelo ocorreu num período agudo da pandemia, e o encontro repercutiu na imprensa portuguesa pela diferença de comportamento das duas delegações. O líder português e seus assessores chegaram ao Palácio da Alvorada usando máscaras, enquanto Bolsonaro dispensou o item.

 

 

FLÁVIA MONTOVANI (FOLHAPRESS) 

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