Cidadeverde.com
Economia

Inflação da Copa do Mundo atinge carne, cerveja e TV

Imprimir

Foto: Fernando Souza/CBF

Com a alta de preços de TV, cerveja, carnes e até figurinhas, o amor do brasileiro à camisa será testado na Copa do Mundo deste ano. A boa notícia é que gol da Alemanha não é corrigido pela inflação.

Produtos como televisor, alimentos e bebidas acumulam altas de dois dígitos no Brasil desde a Copa mais recente, realizada em 2018, indica um levantamento feito pelo economista Bruno Imaizumi, da LCA Consultores, a pedido da Folha de S.Paulo.

O churrasco em dias de partidas, por exemplo, deve ficar mais salgado. De agosto de 2018, após o término da última Copa, até junho de 2022, as carnes acumularam inflação de 76,79%.

A alta é superior aos avanços registrados no acumulado no mesmo período nas vésperas das últimas Copas–de 62,02% até junho de 2010, de 46,28% até junho de 2014 e de 29,95% até junho de 2018.

O pão francês, que pode ser um reforço no cardápio, subiu 30,45%. A cerveja para consumo em casa também avançou no mesmo período: 17,37%.

Outras bebidas, como refrigerante e água mineral (23%) e suco de frutas (17,38%), tampouco escaparam da pressão sobre os preços.

O levantamento foi produzido com base em dados do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).

A Copa do Mundo deste ano será disputada no Catar em um período atípico, de 21 de novembro a 18 de dezembro. Assistir aos jogos em bares e restaurantes também deve custar mais do que em 2018 para o brasileiro.

De agosto daquele ano a junho de 2022, a cerveja fora de casa aumentou 13,89%, enquanto refrigerante e água mineral acumularam inflação de 18,77%. O lanche avançou 33,81%, e a refeição teve alta de 18,71%.

De acordo com Imaizumi, era de esperar que os preços subissem no período de quatro anos. A questão, aponta o economista, é que a inflação está mais disseminada neste momento se comparada a anos recentes de Copa.

Com isso, a renda do trabalhador ficou mais fragilizada, e o poder de compra no país vem perdendo de goleada.

"A inflação está mais forte agora. É um fenômeno mundial neste momento, mas está afetando mais economias como a brasileira."

Quem quiser trocar de televisor para torcer pelo técnico Tite e seus comandados tampouco terá refresco. De agosto de 2018 a junho de 2022, o aparelho acumulou inflação de 17,76%.

O equipamento, segundo Imaizumi, é um dos destaques deste ano. Isso porque o televisor havia acumulado baixas nos preços em iguais períodos de comparação das três últimas Copas (-27,50% até junho de 2010, -41,33% até junho de 2014 e -3,98% até junho de 2018).

Conforme o economista, um dos fatores que entraram em campo e pressionaram a inflação do aparelho foi o desajuste das cadeias produtivas na pandemia.

Com esse desarranjo entre oferta e demanda, os insumos usados na fabricação de equipamentos eletrônicos subiram ao longo da crise sanitária.

Segundo ele, bebidas como a cerveja podem subir mais nos próximos meses. Pressão de custos de produção e retomada do consumo fora de casa são apontadas como as possíveis causas.

FIGURINHAS DOBRAM DE PREÇO

Em 2022, nem as tradicionais figurinhas da Copa conseguiram vencer a disparada da inflação. Cada pacote sairá por R$ 4, o dobro do valor de 2018 (R$ 2). O assunto movimentou as redes sociais nos últimos dias, com direito a lamentações e piadas de usuários.

Cada pacote tem cinco cromos, e o álbum deste ano é composto por 670 figurinhas. Ou seja, em uma situação hipotética, sem levar em conta as prováveis repetições, o brasileiro teria de comprar pelo menos 134 pacotes para completar a coleção.

Os 134 kits custariam R$ 536. Também é preciso contabilizar o álbum, que teve preço definido em R$ 12 na versão mais barata.

Somando as duas despesas, o investimento chegaria a R$ 548. A quantia equivale a quase meio salário mínimo em 2022 (R$ 1.212).

A camiseta oficial que será usada pelo Brasil nas partidas da Copa ainda não foi lançada pela Nike, a fornecedora de material esportivo da seleção.

Enquanto isso, redes varejistas começam a se preparar para a competição. O site da Centauro, por exemplo, anunciava nos últimos dias o pré-lançamento de produtos licenciados pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol) com preços a partir de R$ 129,99.

O IPCA não detalha, por exemplo, a variação dos preços de roupas esportivas. Mas é possível ver que os produtos de vestuário vêm subindo no Brasil nos últimos meses.

Segundo os dados levantados por Imaizumi, camisas e camisetas masculinas acumularam inflação de 33,01% entre agosto de 2018 e junho de 2022. As blusas femininas subiram 17,11%. Artigos de armarinho (29,34%) e tecido (28,35%), que podem ser usados em peças ou itens de decoração, também ficaram mais caros.

Resta saber se o consumo do brasileiro durante a Copa vai ficar ou não na retranca diante de tantos aumentos.

Fonte: Folhapress

Imprimir