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Vida Saudável

O que você come pode te deixar deprimido, alerta nutricionista

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Foto: Freepik

 

Um artigo publicado no Neurology Journals, jornal científico da Academia Americana de Neurologia, colocou a alimentação saudável e a prática de atividades físicas como dois dos pilares essenciais para a saúde do cérebro. A conexão entre o que comemos e a nossa saúde mental vem sendo estudada e pesquisas científicas recentes revelaram que as bactérias do intestino podem influenciar no bem-estar de uma pessoa.

Estudos feitos por universidades e centros de pesquisa, como a University College London, também demonstraram a relação entre a depressão e a obesidade. As descobertas revelaram um aumento da incidência de obesidade em pessoas com estresse crônico e mostraram que indivíduos que se tornaram obesos têm mais propensão a desenvolver quadros depressivos.

A ciência comprova que o que colocamos no prato pode contribuir não só para a saúde física, mas também para a saúde mental. A alimentação pode atenuar ou aumentar os efeitos do estresse, ansiedade e até depressão.

De acordo com nutricionista Diogo Círico, uma dieta equilibrada, bons hábitos e a prática de atividades físicas auxiliam a microbiota intestinal a produzir substâncias que fortalecem o sistema imunológico.

“Nosso intestino se comunica com o cérebro através dos hormônios, das células do sistema imunológico e das moléculas produzidas a partir do metabolismo, que se transformam numa espécie de combustível para os neurotransmissores da região responsável por regular nosso estresse emocional”, explica o especialista.


Mais cor no prato

Círico ensina quais nutrientes devemos colocar na dieta não só para cuidar do corpo, mas principalmente para reduzir o impacto da vida estressante na nossa saúde mental.

“O primeiro passo é aumentar o consumo de vegetais e reduzir o de alimentos ultraprocessados, como embutidos, salgadinhos e temperos prontos, porque eles são nocivos para os micro-organismos aliados do nosso trato intestinal”.

Os alimentos não processados são fonte de vitaminas do complexo B, que auxiliam no metabolismo de energia e na síntese de neurotransmissores.


Triptofanos e aminoácidos

Segundo o especialista, gordura também amplifica o estresse. “Uma dieta cheia de gorduras saturadas (carnes, leites e derivados gordos) pode agravar o quadro de estresse, enquanto uma dieta rica em proteínas (carnes magras, frango, peixe, ovos, leite e derivados magros) fornece aminoácidos essenciais e triptofano, que pode auxiliar na produção de neurotransmissores como a serotonina, e isso melhora quadro de estresse”, conta.

Essas substâncias estão presentes em alimentos como bananas, semente de abóbora, soja, grão-de-bico, tâmaras secas, amendoins, leite, carne, peixe e peru.


Ômega-3

Os ácidos graxos poli-insaturados essenciais e ômega-3 também fornecem nutrientes que combatem o estresse físico e mental. “As melhores fontes são o salmão, a sardinha e o arenque. Mas quando não for possível, é recomendável fazer a suplementação”, diz o especialista.

O nutricionista explica que, em alguns casos, a mudança dos hábitos alimentares pode receber a ajuda de suplementos probióticos. Eles contêm cepas que ajudam a recolonizar nosso intestino com os micro-organismos benéficos à nossa saúde.

Um estudo do gastroenterologista Emeran A. Mayer publicado na Nature revelou que a conexão entre intestino e cérebro viabiliza não só a regulação das funções gastrointestinais, mas também no humor e na tomada de decisões intuitivas.


Dieta do Mediterrâneo

Pesquisas demonstraram que os pacientes com dieta semelhante à ‘mediterrânea’, à base de peixes, azeite, grãos, frutas e legumes, tinham menos risco de desenvolver depressão, estresse e ansiedade.

“É claro que esta não é a chave para curar, nem é uma armadura para evitar o estresse. O mundo já anda desgastante demais e precisamos estar preparados. É necessário entender que nossa dieta afeta o corpo como um todo, inclusive nossa saúde mental. A boa alimentação é o caminho mais curto para responder ao estresse mental e suas implicações no metabolismo físico”, completa.

 

Da Redação
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