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Solenidade marca 30 anos de ingresso de mulheres na Polícia Militar do Piauí

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Fotos: Paula Sampaio/Cidadeverde

Há 30 anos, em 1992, a Polícia Militar do Piauí (PM-PI) formava pela primeira vez uma turma que incluía mulheres. O grupo formou 40 soldados e 30 cabos para exercer uma profissão que até então era exclusiva dos homens. O marco foi comemorado na manhã desta segunda-feira (1) em uma solenidade na sede da corporação com a presença da governadora Regina Sousa (PT). 

Mas, obstante essa conquista de mulheres nas forças de segurança, o grupo ainda enfrentou desafios ao longo dos anos para se consolidar e conquistar o respeito da sociedade frente à profissão que ainda é vista por muitos como “masculina”. A cabo Marcioneide Barbosa comemora a data, mas também fala das adversidades que enfrentou como PM no Piauí. 

Segundo ela, ouviu muitas vezes, ao longo destas três décadas, questionamentos se realmente estava apta para trabalhar como policial. 

“O preconceito era o de fazer o trabalho pelo fato de sermos mulheres, pois muitos duvidavam. Desafiavam a questão do nosso posicionamento, da nossa força, das nossas decisões, mas nós combatemos tudo isso e temos o reconhecimento do Estado do Piauí. Hoje, temos o respeito dos colegas, no ambiente de trabalho e das autoridades”, descreveu. 

Cabo Marcioneide Barbosa

Ela também descreveu o desafio que é ter uma dupla jornada, realidade não apenas das policiais militares, mas também da maior partes das mulheres que atuam no mercado de trabalho no país. 

“É um desafio muito grande, pois além de policiais militares também somos mães de família, esposas e temos que nos dividir entre o trabalho e a casa para agradarmos a todos. O desafio por sermos mulheres pesou muito mais no início da nossa vida [na PM]. Nós abrimos as portas para muitas policiais no Piauí, fomos o diferencial”, disse. 

Para a cabo, agora, a luta das policiais militares é para que o Estado tenha uma maior abertura para que mulheres alcancem patentes maiores na corporação. 

“Hoje é muito irrisório, só é 15% em todos os concursos. As mulheres têm capacidade de assumir postos maiores, como coronéis, majores. Na minha turma hoje temos mulheres graduadas que ascenderam na Polícia Militar, o estado deve abrir mais e mais vagas para mulheres”, disse.  

Neste dia 1º de agosto também é comemorado o Dia Estadual da Policial Militar Feminina no Piauí, lei de autoria do deputado Carlos Augusto (PSD).

Governadora promete ampliar cota 

A governadora Regina Sousa prometeu que enviará ainda neste ano um projeto de lei que aumenta a cota de reserva mínima das mulheres nas vagas oferecidas em concursos públicos para ingresso da Polícia Militar. 

Segundo ela, o objetivo é de que a medida possa ser aplicada já no próximo concurso público da corporação. No final de 2021, uma lei que institui uma cota mínima de 15% para o gênero foi aprovada pelos deputados da Assembleia Legislativa do Piauí (Alepi). 

“Temos que ampliar a participação, porque a lei diz que é 10 e estamos ampliando para 15% . Mas, o certo mesmo é a paridade. Nesse último concurso da Polícia Civil, as mulheres foram a maioria. De 170, 52% são mulheres que estão começando a trabalhar hoje. Mas, é uma conquista, não adianta você querer jogar de uma vez”, disse. 

A governadora ainda defendeu a paridade nos certames, porém, avaliou que está é uma conquista a ser alcançada em etapas. 

“Eu quero esse ano ainda mandar uma lei, mas tenho ainda que acordar com os deputados para ver se a gente aumenta um pouco para o próximo concurso. Aos poucos a gente vai conquistando”, pontuou.

 

 

Paula Sampaio 
[email protected]

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