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Hanson vem ao Brasil, e Isaac diz que jamais gritaria 'fora, Bolsonaro' no palco

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Em dado momento, ao perceber que faria 30 anos de carreira, o cantor e multi-instrumentista Isaac Hanson viu na data a oportunidade perfeita para pôr em prática o antigo desejo de gravar um disco solo.

Integrante do trio Hanson, um dos fenômenos da música pop no final da década de 1990 com o hit "MMMBop", o músico viu na maturidade a chance de pôr seus próprios anseios e dúvidas no mundo por meio da música.

A verdade, contudo, é que Isaac não gostaria de se separar dos irmãos no processo de conceber um disco para chamar de seu. Assim nasceu "Red Green Blue", álbum em que cada membro do trio assina um terço das faixas, resultando num trabalho solo de cada integrante.

"A ideia está relacionada ao nosso processo de amadurecimento. Eu tinha esse desejo havia muitos anos porque notava que as canções que um compunha, mas outro cantava, ganhavam nuances muito diferentes e isso enriquecia o processo. Cada um empurrou o outro para um caminho musical diferente", conta Isaac.

O álbum veio acompanhado de uma turnê mundial iniciada em junho na Finlândia. O grupo chega ao Brasil em outubro, para uma série de apresentações em sete cidades.

O retorno acontece cinco anos depois da última passagem da banda pelo país, quando o cenário social e cultural era muito diferente. Apesar da temperatura política, o músico afirma que a banda prefere se afastar de qualquer assunto que não envolva essencialmente a música.

"Acho muito perigoso levar a vida envolvida com a política. Eu acho que política não é um assunto edificante, ela está cheia de corrupção e ego, eu acho que há muitos bons líderes no Brasil, mas há aqueles que só fazem o que acham melhor para eles mesmos, então temos que tomar cuidado com o que misturamos com nossa vida", diz Isaac Hanson.

"Eu tenho minhas opiniões, mas prefiro encorajar as pessoas a pensar por si próprias, a tomar responsabilidades pelo que está ao seu redor. Música e política não deveriam ter envolvimento."
O músico se diz surpreso ao saber que, num show no Brasil, o ex-Pink Floyd Roger Waters chamou o então candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro de fascista.

"Jamais faria isso, até porque não falo português. Não poderia dizer um 'fora, Bolsonaro' de forma apropriada porque não entendo da política do Brasil. E talvez algumas pessoas estejam do lado oposto ao meu, então eu acredito na comunhão pela música", diz.

"Eu não gostaria de ver um artista brasileiro por quem eu tenha uma admiração, por exemplo, subindo ao palco e dizendo 'fora, Joe Biden', ou 'fora, Donald Trump', não acho que seria apropriado, acho rude até. Precisamos lidar com os problemas da forma que sabemos lidar, e, no meu caso, é tocando a alma e o coração das pessoas. Se você for encorajador, se for uma mãe amorosa, um pai amoroso, responsável, com compaixão, aí sim você vai lidar com seus problemas, não com uma bandeira política."

Aos 41 anos de idade, o irmão mais velho dos Hanson diz estar num momento de contemplação e análise, principalmente sobre seu papel no mercado pop. Embora a banda tenha passado pelo estrondoso sucesso mundial, Isaac acredita que o melhor momento de sua carreira é agora, quando se sente mais disposto a criar. Entretanto, admite, envelhecer no mercado não é simples.

"É claro que é difícil você olhar para o sucesso que você fez e se perguntar: E aí? Para onde foi tudo isso? Ao mesmo tempo você enxerga o hoje e vê que existe um novo público, pessoas muito interessadas em ouvir o que você tem a dizer, e é isso que realmente vale, sabe? É claro que não tocamos mais nas rádios como antes, mas acho isso normal."

Quando questionado se a falta de espaço nas rádios seria um caso de etarismo, o cantor é categórico ao negar a ideia. "Não! Não acho que seja. É claro que ele existe e é claro que é muito difícil, principalmente para as mulheres, mas acho que se trata do tipo de música que você faz."

Em 2018, Madonna afirmou que rádios nos Estados Unidos não tocavam suas músicas por considerar que ela estava velha aos 60 anos de idade. Isaac suaviza. "Não acredito que ela, Cyndi Lauper, Britney Spears ou qualquer uma dessas cantoras tenha do que reclamar. Elas fizeram carreiras brilhantes. Mas não é mais possível você fazer música para pessoas de 20 anos sendo que você tem 40, 50, 60. É preciso saber envelhecer, e é essa paz que eu busco."

A turnê "Red Green Blue" chega ao Brasil no dia 11 de outubro para uma apresentação em Porto Alegre. Depois, passa por Curitiba, Ribeirão Preto, no interior paulista, São Paulo, Uberlândia, em Minas Gerais, Brasília e Rio de Janeiro. Os ingressos já estão à venda.

Fonte: Folhapress

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