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Bolsonaro reconhece falas polêmicas sobre pandemia da Covid: "Dei uma aloprada"

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Foto: Alan Santos/PR

O presidente Jair Bolsonaro disse nesta segunda-feira (12) que se arrepende de certas falas dadas ao longo da pandemia da Covid-19 e não as repetiria. A declaração ocorre a 20 dias do primeiro turno eleitoral, no qual ele concorre à reeleição, e foi feita na participação dele em um pool dos podcasts Dunamis, Hub, Felipe Vilela, Positivamente, Luma Elpidio e Luciano Subirá. Segundo os apresentadores, o público-alvo da live eram os "jovens evangélicos".

"Eu dei uma aloprada. Os caras [imprensa] batiam na tecla o tempo todo e queriam me tirar do sério", justificou. Depois, demonstrou arrependimento de dizer que não era "coveiro" no início da pandemia. No entanto, seguiu defendendo o tratamento precoce, que já foi provado ser ineficaz contra o coronavírus.

"Retiraria porque não tinha vacina", falou ao ser questionado sobre a fala do coveiro. "Sou chefe da nação. Eu sei disso. Eu lamento. Não falaria de novo, não falaria de novo. Você pode ver que de um ano para cá meu comportamento mudou. A minha cadeira é um aprendizado", completou.

Em abril de 2020, Bolsonaro foi questionado sobre as 300 mortes no dia em decorrência da doença e interrompeu o jornalista: "Ô, ô, ô, cara. Quem fala de... Eu não sou coveiro, tá?".

Desde a chegada da Covid-19 no Brasil, o presidente foi autor de frases infelizes e insensíveis. Além da fala sobre não ser coveiro, Bolsonaro minimizou a doença a uma "gripezinha" e "histeria" e falou que o Brasil era um "país de maricas".

Ele também disse que não repetiria que a vacina transformaria pessoas em jacarés e que "pisou na bola" quando chamou a filha mais nova de "fraquejada" por ela ter nascido mulher.

"O jacaré foi figura de linguagem. Se você pegar imagem não estou zombando de ninguém como [William] Bonner quis dizer", justificou sobre um vídeo em que imita pessoas com falta de ar e pelo qual foi questionado em sua sabatina no Jornal Nacional.

BOLSONARO FALTOU POSSE NO STF E ATRASOU PODCAST

O início do programa era previsto para 19h30 (horário de Brasília), mas começou apenas às 20h08. O principal adversário dele nas eleições deste ano, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), concedeu entrevista à CNN Brasil nesta segunda a partir das 20h.

O presidente foi convidado à posse da ministra Rosa Weber no comando do STF (Supremo Tribunal Federal), nesta segunda em Brasília, mas optou ir a São Paulo falar nos podcasts. Com isso, Bolsonaro quebrou uma tradição de quase 30 anos: o último chefe do Executivo a faltar a posse do cargo máximo da Corte foi Itamar Franco, que em 1993 não compareceu na cerimônia do magistrado Octavio Gallotti.

Devido às disputas e em aceno de diálogo pós-eleição, Rosa enviou convites a todos os presidenciáveis -destes, apenas Soraya Thronicke (União Brasil) compareceu.

Na ausência de Bolsonaro, o governo federal foi representado pelo vice-presidente Hamilton Mourão (Republicanos) e pelos ministros Ciro Nogueira (Casa Civil), Bruno Bianco (AGU) Anderson Torres (Justiça) e Fábio Faria (Comunicações).

Além deles, foram à posse o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) e do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e o ex-presidente José Sarney, único antigo chefe do Executivo a comparecer. Também estavam o PGR (Procurador-geral da República) Augusto Aras, o presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Beto Simonetti, e todos os ministros do Supremo.

 

Fonte: Folhapress (Isabella Cavalcante)

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