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Bolsonaro faz primeira agenda no Nordeste após fala sobre analfabetismo na região

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Foto: Alan Santos/PR

Candidato à reeleição, o presidente Jair Bolsonaro (PL) discursou para um público esvaziado na manhã desta quinta (13) no Recife. O ato eleitoral aconteceu na avenida Boa Viagem, na zona sul da capital de Pernambuco. A via é tradicionalmente palco de manifestações bolsonaristas na cidade.

Os apoiadores, com roupas nas cores verde e amarela e bandeiras do Brasil, limitaram-se a ocupar o espaço em frente ao trio elétrico no qual o atual chefe do Executivo discursou.

Devido ao evento de campanha, foram realizadas diversas interdições no trânsito da região. Dois espaços foram reservados para a imprensa na areia da praia de Boa Viagem, mas os jornalistas puderam se locomover com facilidade pelo local, já que não havia um grande público.

Além da plateia na avenida, apoiadores de Bolsonaro se posicionaram nas varandas de prédios ao redor do hotel no qual o presidente participou de um primeiro evento reservado com lideranças religiosas.

Depois, no discurso no trio elétrico, disse que o ministro da Economia, Paulo Guedes, fará a desoneração da folha de pagamento da saúde para viabilizar o piso salarial da enfermagem, suspenso pelo STF (Supremo Tribunal Federal), enquanto apoiadores gritaram palavras contra Luiz Inácio Lula da Silva e o PT.

Em meio à repercussão nas redes sociais do ato esvaziado, o petista alfinetou Bolsonaro. Lula publicou uma imagem no Twitter convocando apoiadores para a caminhada que fará nesta sexta (14) no centro da capital pernambucana e escreveu:

"Amanhã estou em Recife junto com o povo. Vamos lá!".

Junto com a mensagem, colocou uma foto do evento bolsonarista que reuniu um pequeno público.

Depois do ato na avenida, Bolsonaro voltou a ser reunir com lideranças evangélicas.

Diante de pastores, em evento organizado por Silas Malafaia, um dos seus mais aguerridos cabos eleitorais nas igrejas evangélicas, desculpou-se por falar palavrões, disse que não aceitou fazer nada em troca de governabilidade e, em seguida, afagou o centrão e desfiou seu corolário conservador de praxe.

"Falo palavrão, mas não sou ladrão", disse a um auditório lotado de um hotel. "Talvez fosse um pouco grosso, não posso negar, meu pai para educar dava umas zoiadas só", contou, ladeado pelo deputado Marco Feliciano (PL-SP) e pelo senador eleito Magno Malta (PL-ES). "Peço desculpas a quem ofendi."

A ideia de que este pleito abriga uma batalha espiritual retornou mais uma vez aos discursos.

O ex-ministro do Turismo Gilson Machado, presente no evento, disse preferir "10 mil vezes um presidente que ore o Pai Nosso do que um que roube o pão nosso", e o pastor Estevam Fernandes, da Primeira Igreja Batista de João Pessoa, abriu a tarde com uma oração "para que esse sonho de reeleição aconteça".

Antes da reunião, Bolsonaro comentou com jornalistas sobre suas passagens por atos religiosos durante a campanha, que entraram na berlinda depois da visita ao Santuário Nacional de Aparecida, marcada por hostilizações por parte de bolsonaristas e críticas do clero ao uso político da fé.

O presidente disse que fez sua parte. "Minha esposa é evangélica, eu sou cristão. Procurei fazer, como sempre, aquilo que manda o meu coração. Estive em Aparecida e num evento do apóstolo Valdemiro [Santiago] lá em Belo Horizonte. Agora estou neste, da cúpula da Assembleia de Deus no Nordeste."

A agenda de Bolsonaro em Pernambuco busca reduzir a desvantagem para o rival. Nos bastidores, aliados têm trabalhado para ampliar a votação no estado no o segundo turno por meio de apoios de prefeitos.

Na primeira rodada, Lula, que venceu em todos os estados do Nordeste, recebeu 65,27% dos votos válidos em Pernambuco, e o presidente, 29,91%. Três dias após a votação, Bolsonaro associou o analfabetismo à vitória petista na região.

Diante da repercussão, disse que não atacou os nordestinos. Lula aproveitou o momento e afirmou que quem tem "uma gota de sangue nordestino não pode votar em Bolsonaro".

Nordestinos têm sofrido desde o primeiro turno ataques criminosos após o tamanho da votação petista.

Bolsonaro não tem palanque em Pernambuco no segundo turno. Duas mulheres disputam o governo: Marília Arraes (Solidariedade) e Raquel Lyra (PSDB). Quem vencer será a primeira governadora do estado.

Nesta sexta, Lula fará a caminhada no centro da cidade ao lado de Marília, a quem apoia. Raquel, por sua vez, disse que não vai declarar seu apoio na disputa pela Presidência, optando pela neutralidade.

À noite, o chefe do Executivo foi para São Paulo, onde participou de uma live ao lado do coach Pablo Marçal, que obteve votos para se eleger a deputado federal, mas perdeu a legenda.

Ele chegou a ser pré-candidato à Presidência pelo PROS, mas o partido decidiu apoiar Lula e retirar a candidatura do coach. Então, ele se lançou deputado federal, recebeu 243 mil votos, teve o registro de candidatura aprovado no último dia 6 pelo TRE de São Paulo e caminha para ser declarado eleito.

Hoje ele está engajado na reeleição de Bolsonaro, e coordenou a live com influenciadores nesta quinta-feira para "virar votos".

A campanha do presidente fez uma convocação para quem quiser se tornar "influenciador" nas redes sociais do chefe do Executivo. Há até mesmo um manual e, dentre as dicas, a primeira é trocar foto de perfil por uma bandeira do Brasil.

Marçal pede que as pessoas suspendam suas próprias reputações até o segundo turno, em 30 de outubro, para defender Bolsonaro. O pedido leva em conta, diz, o fato de que apoiadores do presidente são atacados em redes sociais.

 

Fonte: JOSÉ MATHEUS SANTOS E ANNA VIRGINIA BALLOUSSIER, Folhapress

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