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Surpresa da Copa, Marrocos foi motivo de incidente diplomático com a CBF

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Antes de ser semifinalista da Copa do Mundo, Marrocos tentou protagonismo no Mundial de outra forma. E um apoio inesperado por parte da CBF causou um incidente diplomático envolvendo dirigentes brasileiros.

Quatro anos atrás, dias antes do início da Copa da Rússia, a Fifa realizou a eleição para definir qual seria a sede do Mundial de 2026. Marrocos era um dos candidatos. O país africano chegou à votação final para competir contra a tríplice candidatura de Estados Unidos, Canadá e México.

Os marroquinos foram derrotados com 65 votos, enquanto americanos, canadenses e mexicanos levaram 134. Mas um dos votos, a princípio, não deveria ser direcionado a Marrocos: o do Brasil.

É que, como de costume, a CBF fizera um acordo político dentro da Conmebol que previa voto em bloco na tríplice candidatura dos países da Concacaf (a confederação que reúne os países das Américas Central e do Norte, além do Caribe).

Mas ninguém no tabuleiro político contava com o fator Coronel Nunes, então presidente em exercício da CBF. A conversa com jornalistas depois da votação foi reveladora:

Repórter: "O que o senhor achou da eleição dos Estados Unidos?"

Coronel Nunes: "Rapaz, eles já fizeram Copa, não é? Era bom que fosse no Marrocos. Nunca teve lá."

Repórter: "O senhor votou no Marrocos?"

Nunes: "É segredo."

Repórter: "A Fifa divulgou seu voto, coronel."

Nunes: "Divulgou? Não sei como estava lá. Dei para meu colega votar."

Ele não tinha dado. O dirigente votara, sim, no Marrocos e desencadeou uma crise.

Presidente da Conmebol, Alejandro Domínguez se sentiu traído e foi cobrar Fernando Sarney, vice da CBF que tem assento nos conselhos da Conmebol e da Fifa. Por conta disso, é o responsável pelas costuras políticas.

A ironia da história toda foi o próprio Sarney recebendo cumprimentos de dirigentes africanos pelo apoio oficial que jamais deveria ter acontecido.

O Brasil virou piada nos corredores frequentados pelos dirigentes.

O jeito foi isolar ainda mais o Coronel Nunes e tentar mostrar que aquele movimento havia sido um devaneio de um dirigente que, na real, não mandava na CBF - Marco Polo Del Nero, mesmo banido, dava as cartas na entidade e já tinha eleito Rogério Caboclo como sucessor.

Caboclo foi à Rússia como chefe de delegação da seleção brasileira.

Agora, no Qatar, Marrocos atingiu o protagonismo que queria, sendo o primeiro africano em uma semifinal da Copa do Mundo, deixando Espanha e Portugal pelo caminho no mata-mata.

O Coronel Nunes, com problemas de saúde, deixou de ser vice-presidente da CBF em março deste ano, quando a chapa encabeçada por Ednaldo Rodrigues venceu a eleição.

GABRIEL CARNEIRO, IGOR SIQUEIRA, DANILO LAVIERI E PEDRO LOPES
DOHA, QATAR (FOLHAPRESS)

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