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Professores pedem apoio a vítimas de ataque em escolas no ES

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Foto: Reprodução 

O atendimento a vítimas do ataque que deixou quatro mortos e sete feridos em duas escolas de Aracruz, no Espírito Santo, no último dia 25 de novembro, é questionado por professores da Escola Estadual Primo Bitti, um dos alvos do atirador –um adolescente de 16 anos.

Em carta divulgada nesta sexta-feira (16), um grupo de docentes reclama de falta de apoio para o pagamento de remédios e cuidados dos feridos e de falta de assistência psicológica adequada, entre outras questões financeiras e administrativas.

Atingida por três disparos, a professora Priscila Queiroz, por exemplo, diz que não recebeu todos os remédios necessários e vem contando com ajuda de uma tia, que é técnica de enfermagem, para trocar curativos.

"É ela quem vai na minha casa todos os dias para trocar o curativo e limpar as feridas", afirma. "Consulta, revisão, tudo que precisei no médico foi pelo plano de saúde do meu marido."

Coordenador do grupo que vem tratando a situação, o secretário estadual de Saúde, Vitor de Angelo, diz que todas as demandas da carta vêm sendo atendidas pelas secretarias estaduais e municipais envolvidas no trabalho.

Três semanas após o ataque feito pelo adolescente, a escola reabriu as portas nesta sexta, para uma cerimônia com homenagem às vítimas e atividades de acolhimento, que contou com a participação de funcionários, alunos e familiares.

O secretário estava presente e ouviu uma das professoras ler a carta. Nela, os professores pedem ajuda financeira às famílias das vítimas atingidas, atendimento psicológico individualizado e a contratação de uma equipe de apoio para o próximo ano escolar.

Reclamam também de sobrecarga de trabalho para fechar o ano letivo e pedem garantia de direito ao luto aos profissionais da escola, incluindo trabalhadores terceirizados da limpeza, alimentação e vigilância, professores em designação temporária e efetivos, e trabalhadores da administração.

"Para tanto, é necessário providenciar uma equipe externa, incluindo de limpeza e vigilância, para o fechamento do ano escolar e período de matrículas, com seguridade financeira para todos os trabalhadores em luto", diz o texto.

O secretário diz que as reclamações são improcedentes e que o grupo tem tomado todas as medidas possíveis para apoiar as vítimas, como o deslocamento de equipes de reforço para ajudar no fechamento do ano letivo.

Mas pondera que há limitações legais para o atendimento de algumas demandas, como a manutenção de funcionários temporários que vivenciaram os ataques.

"O fato de esse crime bárbaro ter acontecido não conferiu a mim nem aos proprietários da escola particular [outro alvo do atirador] qualquer poder a mais para fazer além do que legalmente podemos fazer", afirma.

O secretário admite que os atendimentos na rede básica de saúde e a oferta de tratamento psicológico podem ser um gargalo no processo, mas diz que as medidas necessárias para apoiar as vítimas estão sendo tomadas.

No início do mês, a Justiça determinou que o adolescente de 16 anos responsável pelos ataques fique internado por três anos. O tempo é o máximo estabelecido a infratores neste modelo de medidaA decisão foi divulgada nesta quarta (7) pela Vara da Infância e da Juventude.

O atirador foi julgado dentro do prazo de 45 dias, como prevê a lei brasileira para casos envolvendo menores de idade. Ele será avaliado a cada seis meses por uma equipe multidisciplinar formada por psicólogos e psiquiatras.

O adolescente vai cumprir a medida socioeducativa no Instituto de Atendimento Socioeducativo do Espírito Santo (Iases), em Cariacica, na Grande Vitória, onde já está internado desde o dia seguinte aos ataques, que ocorreram no dia 25 de novembro.

 

 

 

FOLHAPRESS (NICOLA PAMPLONA) 

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