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Morre aos 74 anos o ator Pedro Paulo Rangel, após mais de 50 dias internado

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Foto: Andre Luiz / AgNews

Internado desde 30 de outubro na Casa de Saúde São José, no Rio de Janeiro, Pedro Paulo Rangel morreu na madrugada desta quarta-feira (21), aos 74 anos, de acordo com a assessoria de imprensa do hospital. O ator ficou 51 dias internado. 

O ator, que fumou até 1998, recebeu em 2002 o diagnóstico de doença obstrutiva pulmonar crônica, conhecida popularmente como enfisema. Progressiva, a DPOC não tem cura, mas Rangel conseguiu controlar seu avanço por muito tempo, com remédios e fisioterapia. Não conseguia andar por muitos metros, mas no palco andava perfeitamente, ele dizia.

Carreira

Pedro Paulo Rangel nasceu em 29 de junho de 1948, no Rio de Janeiro. O interesse pelo teatro surgiu aos 11 anos e o levou a participar de peças infantis e amadoras durante toda a adolescência.

A estreia como profissional aconteceu em São Paulo, em 1968, na peça "Roda Viva", de Chico Buarque. O espetáculo era derivado da canção do mesmo nome. Ao se mudar para a capital paulista, ele ainda atuou em "Galileu Galilei", de Bertold Brecht, sob a direção de José Celso Martínez Correa, e "Romeu e Julieta", de Shakespeare, com Jô Soares como diretor, ambas em 1969.

No mesmo ano, Pedro Paulo Rangel fez seu primeiro trabalho na TV, na novela "Super Plá", de Bráulio Pedroso, na extinta Tupi. O primeiro protagonista veio em 1970, com a peça "Jorginho, o Machão", de Leilah Assumpção, dirigida por Clovis Bueno.

Em 1972, já de volta ao Rio, o ator estreou na Globo, na novela "Bicho do Mato". Fez o primeiro nu masculino da TV brasileira em "Gabriela", em 1975. Seu personagem, Juca, e a amante, Chiquinha, vivida por Cidinha Milan, eram jogados nus no meio da rua depois de serem flagrados pelo marido dela. O enquadramento distante permitiu que a cena fosse liberada pela censura.

No mesmo ano, Pedro Paulo Rangel interpretou o personagem-título de "O Noviço", na faixa das 18 horas. Sucederam-se duas novelas da antiga faixa das 22 horas, "Saramandaia" e "O Pulo do Gato".

Pepê, como era chamado pelos amigos, voltou à Tupi em 1979 para a novela "Dinheiro Vivo", mas em 1981 já estava novamente na Globo, onde entrou para o elenco fixo do humorístico "Viva o Gordo", de Jô Soares.

Ganhou seu primeiro prêmio Molière de melhor ator de teatro em 1982, por "A Aurora da Minha Vida", de Naum Alves de Sousa. Ainda receberia mais dois: em 1989, por "Machado em Cena - um Sarau Carioca", de Luís Lima, e em 1994, por "O Sermão da Quarta-Feira de Cinzas", de Moacir Chaves, um monólogo em que interpretava o padre Antonio Vieira e que e também lhe rendeu os prêmios Shell e Mambembe.

Ele fez alguns filmes, mas não teve maior destaque em nenhum deles. Sua filmografia inclui títulos como "O Beijo no Asfalto", de Bruno Barreto (1981), "Amélia", de Ana Carolina (2000) e "O Coronel e o Lobisomem", de Guel Arraes (2005).

Foi a televisão que lhe deu fama e popularidade. Adamastor, da novela "Pedra sob Pedra" (1992), foi um dos primeiros personagens abertamente gays da TV brasileira. Em "Vale Tudo" (1988), encarnou Poliana, o melhor amigo da protagonista Raquel, feita por Regina Duarte. Fez par romântico com Cássia Kis em "Sabor da Paixão" (2002). Anos depois, a atriz declarou numa entrevista que Rangel parou de falar com ela de uma hora para outra, sem razão aparente.

Depois de inúmeras novelas, minisséries e programas de humor, Pedro Paulo Rangel encerrou seu contrato com a Globo em 2013, mas ainda fez alguns trabalhos na televisão. Sua mais recente participação foi na série "Independências", exibida este ano pela TV Cultura.

Pedro Paulo Rangel estava em cartaz no Rio com o monólogo "O Ator e o Lobo" quando foi internado. Não deixou filhos, mas era queridíssimo pelos amigos. Sua timidez às vezes era confundida com antipatia, mas conseguia ser divertido sem tentar ser engraçado.

Sua morte tira de cena um dos maiores nomes do nosso teatro. Nunca foi propriamente um astro, mas sua versatilidade e carisma lhe garantem um lugar de honra entre os maiores atores brasileiros de todos os tempos.

 

Fonte: Folhapress (Tony Goes)

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