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Cléber Machado diz que 'grana' motivou sua dispensa da Globo

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Crédito: Zé Carlos Barretta/Folhapress

Cléber Machado, 60, tinha um plano. A vontade do narrador era aposentar-se na TV Globo, mas não antes de narrar a Copa do Mundo de 2026. Seria a décima de sua carreira. Mas, há alguns dias, ele foi surpreendido com a notícia de que seria desligado da empresa em que estava havia 35 anos.

"Há um mês, 15, 20 dias, eu não imaginava isso", afirmou à Folha de S.Paulo o profissional, que recebeu o comunicado sobre sua saída na última quarta-feira (22).

Cléber buscou os executivos da emissora para entender os motivos. Na conversa, ficou claro para ele que a razão era financeira, "pelo critério que foi adotado".

"Eu perguntei: 'Vocês não me querem mais ou é grana?'. Responderam a opção B", disse o narrador.

Questionado se o salário dele havia se tornado alto demais para o padrão atual estabelecido pela Globo, limitou-se a dizer: "É possível".

O paulista era um dos profissionais que estavam havia mais tempo no esporte da emissora. Existia uma expectativa de que seria o substituto natural de Galvão Bueno, 72, como narrador principal do canal carioca --embora ele negue essa perspectiva, porque "nunca se discutiu uma sucessão para o Galvão".

Sinais de que o prestígio dele já não era o mesmo começaram a surgir no ano passado, quando o narrador foi preterido na escolha da equipe levada pela Globo para cobrir a Copa do Mundo no Qatar. Ele fez parte do time que ficou no Brasil para trabalhar a distância.

Cléber nega ter ficado magoado, embora observe: "Quem não quer cobrir uma Copa do Mundo?".

O profissional assegurou, no entanto, que foi em tom de brincadeira seu comentário ao vivo, durante o Mundial, sobre um vídeo que mostrava homenagem da Fifa (Federação Internacional de Futebol) a Galvão por ele ter trabalhado em 12 finais.

"Também quero dar parabéns para mim. Eles podiam mandar uma coisinha dessa aí para mim, é a nona Copa do Mundo. Aqui é a nona Copa do Mundo. Não sei se vale a distância, mas...", disse, na ocasião.

Cléber afirmou que os executivos foram "muito gentis" com ele ao avisá-lo com antecedência sobre o time escalado para viajar ao Qatar.

"Falaram comigo antes de [divulgar] a lista [à imprensa]", conta. "Quando chegou junho, julho, eles falaram para mim que eu não ia para a Copa."

Apenas Galvão Bueno, que deixou de ser narrador na emissora carioca, e Luís Roberto, que continuam no canal, narraram o torneio in loco pela TV aberta.

"De uns tempos para cá, o Luís Roberto cresceu, eu não acho que eu diminuí", disse Cléber.

O narrador contou que já tinha planejado férias para maio antes de saber que sairia da Globo e pretende cumprir o período de descanso da mesma forma, mas não descartou trabalhos antes disso, sem revelar se isso diz respeito a um canal tradicional de TV ou a alguma plataforma de streaming.

 

CRISTINA PADIGLIONE E LUCIANO TRINDADE
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

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