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Flamengo declara guerra à CBF e promete lutar pelo título de 1987

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O presidente do Conselho Fiscal do Flamengo, Leonardo Ribeiro, cogita pedir a exclusão do sócio benemérito Ricardo Teixeira, presidente da CBF, do quadro social do clube da Gávea. Com o estatuto em mãos, Ribeiro confirmou a informação nesta quinta-feira, antes de entrar na coletiva da presidente Patrícia Amorim, que classificou como "indecente" o fato de a CBF não reconhecer o título nacional do clube em 1987. Segundo ela, a "briga só começou". Enquanto isso, torcedores do Flamengo articulam uma manifestação para segunda-feira, em frente à sede da CBF.



“O Flamengo está unido, e quando isso acontece é bom se preocupar. O Conselho Fiscal convida o senhor Ricardo Teixeira a comparecer diante de sua comissão de ética e esclarecer a questão. Se ele é rubro-negro, vai comparecer. Ele infringiu o artigo 24 do estatuto: ‘Ao sócio, impõe-se contribuir para a grandeza patrimonial e esportiva do clube’. Se ele não comparecer, infringirá outro artigo e poderá ser excluído do quadro social” explicou Ribeiro.

De acordo com o diretor jurídico do clube, Rafael de Piro, o pedido de revisão da decisão será encaminhado nesta quinta-feira à CBF e o clube aguarda uma resposta até segunda. "Confiamos na revisão da decisão, mas se não for obtida, o clube irá às últimas consequências".

Patrícia Amorim diz que usará documentos assinados pelos clubes, inclusive pelo próprio Sport, que reivindica o título de 1987, para reconhecer a conquista flamenguista. Esses documentos foram entregues a todos os presentes à coletiva. Tratam-se de atas do Clube dos 13 e ofícios do envio de cartas à CBF onde o clube pernambucano, em acordo feito para sua adesão ao C-13, em 1997, concorda com a homologação de Flamengo, Sport, Internacional e Guarani como respectivos campeões e vices do Brasileiro de 1987.

O advogado Michel Asseff Filho, também na bancada, afirmou: "O parecer da CBF não contempla essas cartas. Então, se é omisso, suponho que a CBF não as recebeu e vamos enviar de novo. Agora, se a entidade tem esses documentos e não foram apreciados no parecer, é estranho".

A presidente disse acreditar que a decisão da CBF de divulgar a decisão agora, enquanto o clube ainda discutia com a entidade o que seria necessário para o reconhecimento do título, uma resposta ao fato de o Flamengo ter apoiado Fábio Koff na eleição do Clubes dos 13. A entidade que comanda o futebol nacional apoiou Kléber Leite, ex-presidente do próprio Flamengo, mas que não contava com o apoio do clube. Sobre a candidatura de Leite e a pressão nos bastidores exercida pelos partidários de Márcio Braga, que chegou a divulgar e-mails falando sobre o tema, Patrícia foi firme:

"Quando o Flamengo entrou na chapa do Koff, não havia outra. Essa nova surgiu nas últimas semanas. O clube buscava espaço, recolocação no C-13. A houve uma vitória nas urnas, a representante legal do Flamengo no C-13 e segunda vice-presidente da entidade é a presidente do clube, Patrícia Amorim. Essas pessoas causaram ao Flamengo um desconforto enorme, porque já havia uma posição da instituição. Só quem pode falar pelo Flamengo, e essas pessoas sabem disso porque foram presidentes, é o presidente eleito", disparou.

"Foi uma atitude indecente, intempestiva, inoportuna, divulgar isso neste momento. Não me pronunciei ontem (quarta) porque havia um jogo importante e a prioridade é vencer no campo, como foi em 87. Apesar de termos perdido, a prioridade do clube é essa. Prefiro não acreditar que foi algum tipo de retaliação, mas tudo me leva a crer que sim. Foi um título conquistado de forma guerreira e a final não ocorreu por orientação do Clube dos 13, que o Flamengo acatou e a CBF deveria ter a mesma sensibilidade".

Durante toda a sua gestão, Márcio Braga culpou o presidente do Clube dos 13, Fábio Koff, por não ter enviado as cartas à CBF e não entregá-las ao Flamengo. Porém, as cartas com datas de envio de 1997 e 2007 apareceram. "Em nenhum momento o Koff me negou esses documentos. Foram entregues em janeiro e não teve nada a ver com a minha adesão à chapa. Isso foi uma posição do Flamengo, em busca de espaço, e o Flamengo não tem preço, não pode ser vendido".

A presidente também não poupou o mandatário da CBF. Ironizou a posição do cartola de dizer que, enquanto presidente da entidade, homologaria o penta, mas que pessoalmente se considera hexa. "Eu tenho posições firmes e é isso que gostaria de ver em todas as instituições. Quando tomamos decisões, estamos sujeitos a rejeição. Agora, jogar para a galera? Francamente... Se é rubro-negro, como diz, deveria pelo menos ter conversado conosco antes de divulgar a decisão. Isso não cola para o torcedor. Como é agora? Pessoa física ou pessoa jurídica? É uma pessoa só. Essas atitudes pequenas não vão diminuir a grandeza ou mudar o rumo dessa instituição. A minha reação foi de perplexidade, decepção. Foi uma covardia, algo indecente", disse Patrícia, confirmando que divide o título, mas não a Taça das Bolinhas. "A taça é de quem conquistou primeiro".

A dirigente mostrou toda a decepção com Ricardo Teixeira ao revelar as conversas que teve pessoalmente com o cartola, onde, segundo ela, ele afirmara que bastariam as cartas apresentas hoje pelos flamenguistas para que o título fosse reconhecido. "Causou desconforto, decepção, o fato de ter fechado esse acordo com os homens, os homens de bigode, que eu não tenho. Apertei a mão do presidente da CBF e ele me disse que bastaria isso. Foi o que mais me chocou. O Flamengo cumpre o que promete. A briga apenas começou. Confio na possibilidade de reverter a situação".

Na quarta-feira, a CBF confirmou que entregará ao São Paulo a polêmica “Taça das Bolinha”, troféu que cabe ao primeiro clube a conquistar cinco vezes o título do Campeonato Brasileiro. O Flamengo argumenta que conquistou seu quinto título em 1992, mas a CBF não reconhece a conquista da Copa União em 1987. Para a entidade, o campeão daquele ano é o Sport, já que Inter e Flamengo se recusaram a disputar um quadrangular final com os pernambucanos e o Guarani.



Fonte: IG
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