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Beto Brito lança disco e fala de parcerias com grandes nomes

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Nascido em Santo Antônio de Lisboa, em 1962, Beto Brito é um dos músicos piauienses mais bem relacionados no meio musical. Ele trafega entre e dialoga com grandes nomes da música do Nordeste como Zé Ramalho, Antônio Barros, Cecéu e o produtor Robertinho do Recife. Com sua rabeca, viola e violão, Brito está em Teresina lançando seu mais recente trabalho, o disco “Bazófias de um cantador pai d’égua” que é derivado de um livro de cordel homônimo, escrito por ele.


O trabalho reúne 14 composições próprias e mescla as raízes nordestinas do baião, coco, embolada, com um toque de reggae, funk e música eletrônica, produzindo um som bastante particular com ares vanguardistas. Mas até chegar a seu estilo atual, Beto Brito teve de viajar muito, não só por vertentes musicais, como por diversas cidades.

Ao sair de Santo Antonio de Lisboa, Beto Brito foi morar em Fortaleza, depois passou por Teresina, São Luis, Recife até chegar a João Pessoa, onde mora atualmente. Seu trabalho foi um reflexo desse seu aspecto nômade. Ele contou ao CidadeVerde.com que seu primeiro CD, “Visões”, trazia canções, baladas e reggae. O segundo, “Pandeiro Sideral” - produzido por Carlos Trilha, mesmo produtor do Legião Urbana e Marisa Monte - já tinha um viés forrozeiro. “Mei de Feira”, o terceiro álbum, aprofundou essa viagem na cultura nordestina. “Tinha uma sonoridade dos rabequeiros, cegos e emboladores com quem tanto tive contato na juventude”, conta.


Mas a virada em sua carreira aconteceu em 2005 quando, no Rio de Janeiro, por sugestão do produtor Robertinho do Recife, decidiu inovar e sair um pouco da musicalidade tradicional nordestina e buscar fusões. “Foi uma época em que eu fiz muitas pesquisas e já havia um movimento muito interessante em Pernambuco com artistas como Lenine, Siba, Mestre Ambrósio, (DJ) Dolores. A minha ideia era juntar o primitivo com o contemporâneo”, conta. O resultado é o disco “Imbolê”, lançado naquele ano.

Em 2011, Beto Brito lança o disco “Bazófias...”, onde todas as músicas – exceto uma que é instrumental – são composições escritas em septilhas, estrofes de sete versos, bastante usadas na literatura de cordel, sobretudo pelo Poeta do Absurdo, Zé Limeira, um ícone, para quem o piauiense já fez muitas homenagens. Uma delas é a faixa “Zé Limeira, Meu Poeta”, que está na trilha sonora do filme “Na Estrada com Zé Limeira”, do cineasta Douglas Machado.

“O ‘Imbolê’ é, na verdade, um conceito musical de fusões e o ‘Bazófias...’ segue a mesma linha ‘groovada’ com cordéis e rabecas”, define Beto Brito.

O disco “Imbolê” tem a participação de Zé Ramalho e o “Bazófias de um Cantador Pai D’Égua” conta com Geraldo Azevedo, a dupla Caju e Castanha e o guitarrista africano Zolla.


Para 2012, Beto Brito planeja voltar à tradição nordestina e fazer um disco apenas de forró, que deve contar com a participação de Antônio Barros e Cecéu, Genival Lacerda, Silvério Pessoa e Santana, o cantador. Este trabalho, assim como o “Imbolê” e o “Bazófias...” será produzido por Robertinho do Recife e tem o título provisório de “E tome Forró”. O cantor revela ainda que ele e Zé Ramalho pretendem lançar um disco com o piauiense cantando as músicas que marcaram a carreira do cantor de “Chão de Giz”.


Nesta terça-feira (13), Beto Brito estará na Casa da Cultura onde participa do lançamento do livro “Piauí no reinado da luz: tradições e cultura de um povo iluminado”, onde produziu os textos em forma de cordel, a pedido da Eletrobrás Piauí.


Carlos Lustosa Filho
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