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Fórum: Ônibus queimado foi resposta à repressão policial

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O professor Daniel Solón, integrante do Fórum do Transporte Público de Teresina, declarou ao CidadeVerde.com que as pessoas que fazem parte da entidade não participaram da integração, mas que ela se solidariza com os eventos durante a manifestação contra o reajuste da tarifa de ônibus e a forma de como a integração das linhas dos coletivos está acontecendo na capital piauiense. Segundo ele, os atos da queima de um veículo e a derrubada de uma árvore de natal alegórica foi apenas uma reação de um dos manifestantes às supostas agressões de policiais. 

“A culpa disso tudo é do aumento da passagem e da cobrança da segunda tarifa. É apenas uma reação a essa atitude da prefeitura”, afirma Solón. Ele avalia que a prefeitura continua intransigente e fechada ao diálogo. “Nós queremos abrira discussão, por isso o movimento só tende a se fortalecer e continuar”. 

O professor criticou ainda a atuação da polícia e a informação de que a PM não vai permitir aglomerações. “Isso não faz parte da democracia. É uma ditadura e repressão”, caracteriza. Solón diz ainda pessoas que estavam tentando pacificar o movimento acabaram sendo detidas, como um professor do colégio Dom Barreto, que tentava negociar com o movimento. 

A representante da Associação Nacional dos Estudantes Livres (Anel) no fórum, Iara Silva, diz que os manifestantes estão aprendendo com os erros e não vão divulgar suas estratégias publicamente para que a policia não saiba e se antecipe, pois segundo ela, há policiais infiltrados à paisana no movimento. 

Ela rebateu as críticas do governo de que este seria um movimento político. “O povo unido lidera sem partido. O nosso movimento é político (politizados)nas ruas, no movimento estudantil e é o movimento certo. Essa falsa integração e a passagem abusiva nós não vamos aceitar”, assegura.

Central de Flagrantes
Segundo a advogada do Fórum, Adoniara Azevedo, no segundo dia das manifestações, terça-feira, quatro pessoas foram detidas pela polícia, mas não chegaram a ser levadas para a Central de Flagrante. “Todas elas e mais três foram machucadas, fizeram exame de corpo de delito e prestaram boletim de ocorrência”, diz. 

Azevedo afirma que nesta quinta-feira (5), cinco pessoas foram levadas à Central, entre elas, dois adolescentes de 15 anos de idade. “Os três maiores não foram fichados. Um deles, Lucas Brito, estudante de Direito de 22 anos, foi muito machucado enquanto estava sendo preso. Dos dois adolescentes, um foi liberado à tarde e o outro meia-noite através do habeas corpus com a ajuda do conselho tutelar”, elenca, sendo que contra este último jovem foi registrada a denúncia por dano ao patrimônio publico. 

Foto: Reprodução Facebook de Huggo Lima

Lucas Brito

“Estamos acionando a Defensoria e o Ministério Público, pois não vamos admitir esse tipo de excesso (da polícia). Temos registros em vídeos e fotos das agressões policiais e vamos enviar um procedimento para a PF apurar os seguranças particulares que correram atrás e agrediram os manifestantes”, pontua Adoniara Azevedo. 

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Flash de Caroline Oliveira
Redação Carlos Lustosa Filho
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