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Novo sistema de ônibus terá terminais, corredores e novas linhas e pontes

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  • trecho-mrosa-2.jpg Planta de Estação na Avenida Miguel Rosa: Laterais vermelhas são obras que avançarão nas calçadas; Vermelho no centro é a ciclovia; Estações em azul. Cruzamento da Miguel Rosa com Higino Cunha e José dos Santos e Silva
    Divulgação Semplan
  • trecho-mrosa.jpg Planta de Estação na Avenida Miguel Rosa: Laterais vermelhas são obras que avançarão nas calçadas; Vermelho no centro é a ciclovia; Estações em azul.
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A Prefeitura de Teresina está realizando uma série de intervenções na cidade que têm como objetivo melhorar a mobilidade e o deslocamento da população que precisa se locomover de uma região para outra. Faixas exclusivas para ônibus, terminais de integração, novas pontes, são algumas alterações a serem realizadas no sistema de trânsito que, segundo a PMT, devem estar concluídas até 2017. 

Entretanto, essa história começa com a entrega do relatório final do Plano Diretor de Transportes e Mobilidade Urbana de Teresina, em junho de 2008. O documento (que pode ser acessado aqui) apresenta uma série de propostas que agora, finalmente, estão sendo implantadas. 

Segundo o prefeito Firmino Filho, o novo modelo foi baseado no sistema de Teresina e uma série de modificações está sendo planejadas com a maioria das obras na fase de elaboração dos projetos básicos, que devem ficar prontos em 2015. “A grande transformação do sistema só vai acontecer quando tivermos a reformatação do sistema”, afirma. 

Vale lembrar que para utilizar o novo sistema, é necessário que os usuários utilizem o Cartão Expresso que custa o valor de três passagens inteiras. Segundo a Strans, por mês, 7 milhões de passageiros são transportados e 120 mil pessoas usam o sistema, o que corresponde a 15% da população de Teresina. Destes, 50% possuem cartão (incluindo estudantes e trabalhadores), 10% têm de gratuidade registrada (idosos, oficiais de Justiça, policiais, deficientes), e outros 40% ainda não possuem o cartão. Muitos passageiros dizem não saber utilizar este artifício ou o veem com desconfiança, preferindo pagar em dinheiro. 

Terminais
O secretário executivo de captação de recursos e monitoramento da Secretaria Municipal de Planejamento (Semplan), José João Braga, explica que a PMT já conseguiu cerca de R$ 250 milhões para as três primeiras etapas das obras e aguarda mais um financiamento de R$ 88 milhões para uma quarta etapa. 

 

Foto: Semplan

José João Braga

 

A primeira, com recursos do PAC II Grandes Cidades e do Orçamento Geral da União garantiu R$ 112 milhões para a construção de oito terminais de ônibus: Rui Barbosa e Buenos Aires na zona norte; Piçarreira e Santa Isabel, na zona Leste; Livramento e Itararé, na zona Sudeste; Bela Vista e Parque Piauí, na zona Sul, além da duplicação da avenida Poti na zona Norte. 

“Tudo que está sendo feito estava previsto no Plano Diretor de 2008. Atualmente, todas as linhas saem dos bairros para o centro. Já esses terminais vão ficar de cinco a seis quilômetros de distância do Centro e vão receber as linhas integradoras, que são aquelas que vão aos bairros e levam os passageiros até elas. Do terminal até o centro haverá os corredores. A vantagem desse sistema é reduzir o tempo de deslocamento, a quilometragem percorrida pelos ônibus e o aumento da velocidade”, informa. 

Braga acrescenta que os terminais do Itararé, Parque Piauí, Bela Vista e Livramento devem estar prontos até março de 2016 e já devem entrar em operação o sistema que utiliza os ônibus dos bairros para o terminal e outros veículos do terminal até o centro.  As seis estruturas estão orçadas em R$ 30,1 milhões.

No último dia 5 de agosto, o prefeito Firmino Filho visitou as obras do terminal Livramento, na zona Sudeste. “Esse terminal vai servir a toda a comunidade do Grande Dirceu. Estamos também iniciando o terminal do Bela Vista e os dois da sequencia são o do Parque Piauí, já em avançado estágio de processo, e o quarto é o da Fundação Bradesco (Itararé), que iniciará em breve”, relatou. A expectativa é que o terminal Livramento seja finalizado até o mês de novembro e inaugurado ainda em 2015. “No início do próximo ano teremos muitas inaugações de terminais de integração. No segundo semestre de 2016, teremos as inaugurações dos terminais das zonas norte e leste”, completou Firmino.

 

Arquivo PMT

 

Corredores
Outra aposta da prefeitura é a criação de corredores exclusivos de ônibus, faixas em vias importantes da capital onde apenas os coletivos poderão transitar. Isso tem como objetivo facilitar o deslocamento através do transporte público. 

"O que temos hoje na Miguel Rosa, na Barão de Gurgueia, na Frei Serafim, não são corredores, são faixas. Na faixa não tem a impossibilidade física dos veículos cruzarem. Nos corredores vai haver uma segmentação, somente o ônibus vai poder correr. Vamos modificar essas avenidas e as faixas dos ônibus serão as centrais, assim como as paradas de ônibus serão no canteiro central. Vamos reformatar essas avenidas. Os ônibus vão ter suas portas voltadas para a esquerda, assim como os terminais terão sua localização nos canteiros centrais. A lógica é poder fazermos com que tenhamos entre os terminais e o centro, ônibus que possam fazer viagens mais rápidas e qualificadas”, explicou o prefeito Firmino Filho. 

Está prevista a construção de cinco corredores: uma que abrange as avenidas presidente Kennedy, João XXIII e Frei Serafim; outro nas avenidas Professor Wall Ferraz e Miguel Rosa;  outro nas avenidas Henry Wall e Barão de Gurgueia; na zona norte, na Rui Barbosa e na zona Sudeste na Gil Martins. “O corredor da Barão e Henry Wall estão para licitação e o da Miguel Rosa está na licitação. Estão em fase de finalização de projetos os outros três corredores. Como os ônibus vão operar com a porta do lado esquerdo. A Strans já está solicitando que as empresas façam a modificação e 62 veículos estão preparados para isso”, descreve o secretário José Braga. 

 

 

O projeto é ousado. Será necessário fazer intervenções os canteiros centrais das vias dos corredores e, em alguns casos, até mesmo nas calçadas. O projeto prevê que nesses corredores sejam construídas estações de embarque e desembarque climatizadas a cada 500 metros. As entradas terão acessibilidade e darão acesso por duas frentes enquanto as portas laterais serão automáticas e se abrirão e fecharão conforme a aproximação e afastamento dos ônibus. 

Na Miguel Rosa, por exemplo, as estações serão construídas em duplas: uma funcionará para atender os veículos em um sentido e a outra no outro. Há previsão ainda de uma ciclovia no canteiro central percorrendo toda a via. 

Já o da Barão de Gurgueia tem seu processo licitatório em vias de abertura. A obra está orçada em R$ 12.655.229,33, com recursos do Programa de Financiamento das Contrapartidas do Programa de Aceleração do Crescimento (CPAC), e contempla também a construção de 12 estações de passageiros climatizadas. A abertura das propostas da licitação está prevista para o dia 11 de setembro.

Todos os corredores serão monitorados através de câmeras cujas imagens serão acompanhadas em um Centro de Controle Operacional. O projeto, no valor de R$ 29,9 milhões, está em fase de projeto e ainda vai ser licitado. “Vamos ter câmeras em todos os terminais e corredores. Elas vão nos ajudar para que não haja veículo entrando na faixa exclusiva e também acompanhar a regularidade dos ônibus”, informou o José João.

Faixas exclusivas
Com a criação dos corredores, as faixas exclusivas da Frei Serafim devem acabar. Mas devem ser criadas novas faixas em outros locais da cidade, em menor percurso, como o corredor na rua Rui Barbosa até o clube do gari. A via deverá fazer binário com a rua Almirante Tamandaré. As da Coelho de Rezende e Pires de Castro, no centro, devem ser mantidas. 

Pontes e viadutos
Outras ações que estão previstas são a construção de viadutos e novas pontes em pontos críticos para o trânsito na cidade. Já está sendo realizada a obra da ponte da avenida Gil Martins, orçada em R$ 66 milhões, que será ligada à avenida José Francisco de Almeida Neto. A expectativa de conclusão é fevereiro de 2016. 

 


Firmino Filho durante visita às obras da Ponte da Gil Martins (Foto: Renato Bezerra/Semcom)

 

Outra estrutura sobre o rio Poti que já tem recurso garantido (R$ 24 milhões) é a do bairro Poti Velho que formará um binário com a ponte Mariano Gayoso, já existente, e ligará a avenida Poti Velho à rua Domingos Afonso Mafrense. O processo licitatório está ocorrendo e, após início das obras, o prazo de execução é de um ano.

Também é esperada a construção de uma ligação sobre o rio Poti na altura da Universidade Federal, que ainda aguarda captação de R$ 88 milhões, através de financiamento do PAC Mobilidade, que serão aplicados ainda na faixa exclusiva entre os terminais das zonas Leste e Norte e um viaduto no balão da Tabuleta. 

Um viaduto no complicado cruzamento que intersecciona as avenidas Miguel Rosa, Joaquim Ribeiro, Higino Cunha e José dos Santos e Silva está em fase de elaboração do projeto básico e orçado em R$ 34 milhões. 

Linhas
Cerca de 42% das reclamações dos usuários à Strans dizem respeito ao atraso dos ônibus e uma das principais preocupações da população é como ficarão as linhas quando essas mudanças forem implantadas. Segundo a Secretaria, uma certeza é de que as circulares (365 e 563 - Universidade 1 e 2 e 723 e 327 - Rodoviária 1 e 2), além das diametrais 170 Poty Velho - Planalto Bela Vista, 270 Mocambinho - Porto Alegre e 360 Mocambinho – Promorar deixarão de existir.

Dos 104 linhas atuais, o número deve ser reduzido para 100, divididas entre as linhas alimentadoras (bairros-terminais) e troncais (dos terminais para o centro e vice-versa). 

O gerente de Planejamento da Strans, Vinícius Rufino, explica que estão sendo feitos testes com linhas da zona Sul. "Elas foram colocadas, de forma experimental, três linhas alimentadoras e uma troncal como uma forma de educar a população sob um modus operandi. A linha sai do bairro, chega na praça do Saci que espera sincronizados praticamente, sai para o centro", informa. 

Segundo ele, muitos trajetos serão mudados, mas a maioria manterá basicamente o percurso atual. "Por exemplo, o Parque Jurema atualmente tem quatro linhas - via São João, Barão, Shopping, Miguel Rosa - e o São Paulo, que fica próximo, tem os mesmos destinos. Devem ser criados duas linhas, no máximo, com que passarão por esses bairros e levarão para o terminal. No terminal, eles pegam os veículos para a direção que irá passar por esses trechos.Com certeza, serão criadas novas linhas, as troncais, com novos nomes, e destinos dos bairros devem se fundir. Devemos ter uma ou duas linhas em cada bairro, com intervalo menor", calcula. 

Empresário
O proprietário da empresa Dois Irmãos, Marcelino Lopes, acredita que as modificações serão benéficas para as empresas e também para os usuários. "Acho que teremos uma mudança boa. Onde tem corredores, os usuários terão um conforto e velocidade maior. O problema é que os ônibus utilizados na frota não têm conforto porque não se discute em nível federal uma forma de fazer com que o governo subsidie os veículos para que eles sejam mais baratos. Não se vê ninguém discutindo isso. Você vê na Europa e nos Estados Unidos os ônibus com ar condicionado, poltronas confortáveis, o que desestressa também o motorista, que, afinal, está levando vidas. O que se faz para transformar o transporte como um todo? Você já viu isso sendo discutido no Congresso Nacional? Quem anda, geralmente é a classe menos abastada. Então que o sistema seja subsidiado pelo governo ou pela classe mais abastada. 

Outro ponto que é bastante reivindicado pelos usuários é a climatização da frota. O projeto atual prevê que, com o novo sistema, 10% da frota seja climatizada e esses veículos devem ser utilizados nos corredores, para fazer combinação com as estações, que serão refrigeradas. 

Marcelino Lopes lembra que Teresina já teve veículos com ar condicionado, em meados da década de 2000, com os chamados "opcionais". Segundo ele, a frequência de abrir e fechar das portas impossibilitava que o veículo permanecesse em temperatura muito inferior à externa, o que descontentava os usuários. Isso, somado à quebra constante dos ar condicionados acabou invibializando esse tipo de transporte. O empresário, entretanto, crê que, como as linhas troncais estarão conectadas a terminais climatizados, os novos ônibus dos corredores terão mais êxito sendo refrigerados.

Enquanto Teresina não chega lá, a cidade de Timon se mostra "vanguardista" com seu ônibus com wifi e ar condicionado e um veículo articulado

Passageiros
Enquanto as novidades são anunciadas, há uma queda anual no número de usuários de transporte coletivo, uma realidade em todo o país, de acordo com o gerente de Planejamento da Strans, Vinícius Rufino. "A queda de usuários é no Brasil inteiro. Em São Paulo, por exemplo, nas décadas de 1970 e 1980 o índice de passageiros por quilometro era 5. Hoje, a média é de 2,5 a 3. Em Teresina é 2,5. Vários fatores influenciam para isso: as cidades crescem (nos seus extremos) e a linhas de ônibus que saíam para o centro aumentaram em distância, assim os terminais têm que ser afastados para áreas mais periféricas. A cidade cresce não mais com uma migração externa, mas interna. Por exemplo, alguém que morava no Emílio Falcão e vai para o Porto Alegre porque ganhou uma casa. Há uma dificuldade para gerenciar essa operação e fazer com que a frequência da linha seja a contento. O sistema radial era ideal há 20 anos. Hoje não mais. Junte a isso a facilidade de conseguir um transporte próprio. O cidadão reclama do trânsito mas não abre mão do carro ou da moto. É complicado", avalia. 

 
 
 

 

Carlos Lustosa Filho
carloslustosa@cidadeverde.com

  • 3D_-_5_-_Livramento_-_Interna02.jpg Maquete do terminal Livramento
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