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COVID-19: a promessa de um novo antiviral

A revista Science que circula atualmente entre os assinantes traz na sua capa o destaque de uma pesquisa que parece ter identificado substâncias com alto potencial antiviral.

 

A pesquisa, elaborada por um grupo de 27 pesquisadores chineses, investigou substâncias a base de chumbo que tem efeito inibitório contra a protease MPro, que é uma enzima chave que desempenha um papel central na mediação da replicação e transcrição viral, do SARS-Cov2, ou seja, atua na reprodução do vírus. O artigo denominado “Structure-based design of antiviral drug candidates targeting the SARS-CoV-2 main protease” (“Projeto baseado em estrutura de candidatos a medicamentos antivirais direcionados à principal protease SARS-CoV-2”, em tradução livre) traz projeções e resultados da aplicação dos compostos chamados 11a e 11b.

De acordo com os autores, o poder inibitório destes compostos interfere diretamente no ciclo de replicação viral, pois a MPro é responsável direta pela tradução de duas poliproteínas: pp1a e pp1ab. As drogas revelaram bons resultados na pesquisa in vivo e baixa toxicidade dos compostos (11a e 11b).

A pesquisa guarda similaridades com os princípios desenvolvidos no trabalho produzido pela equipe do Prof. Francisco Lima (UESPI), só que com substâncias à base de compostos extraídos do óleo de buriti, que publicamos a duas semanas atrás (se quiser rever clique aqui). O trabalho da equipe do Prof. Francisco Lima usa compostos extraídos de um composto natural e está em uma fase bem inicial, dadas as condições das instituições locais para testes in vitro e in vivo, já executados pelos cientistas chineses.

O importante é que existem pesquisadores no mundo inteiro trabalhando para produzir medicamentos que possam barrar o processo de reprodução viral, que culminará com um tratamento eficaz contra a COVID19. No artigo, inclusive, os pesquisadores chineses trazem dois exemplos de experiências desenvolvidas com drogas já existentes como a combinação de Interferon-A e medicamentos anti-HIV Lopinavir / Ritonavir (Kaletra) foi usada, mas o efeito curativo permanece muito limitado e pode haver efeitos colaterais tóxicos e o uso do Remdesivir, um medicamento antiviral de amplo espectro desenvolvido pela Gilead Sciences Inc., também explorado para o tratamento do COVID-19, mas ainda sem dados suficientes para comprovar sua eficácia.

Pelo sim, pelo não, graças a ação de muitos pesquisadores, logo logo teremos uma solução para o tratamento da COVID19 ou a sua prevenção, através do desenvolvimento de uma vacina com eficácia. O combate ao SARS-Cov2 precisa chegar a um resultado, pois além de não se ter certeza de que a infecção ocorre uma única vez, as possibilidades de mutação de um vírus com cadeia de RNA simples, positivo são grandes, o que não nos pouparia de recorrências de novas epidemias com versões novas de COVID-20, COVID-21 e assim por diante.

Precisamos urgentemente de uma resposta da ciência mundial. É uma questão de sobrevivência da nossa espécie.

Boa semana para todos (as).