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COVID-19: é possível matar o que não está vivo?

Desde que a COVID-19 se estabeleceu como pandemia, cientistas do mundo todo se puseram a pensar sobre como interromper esta doença que derruba recordes diariamente e já se firmou como a doença mais tenebrosa do século XXI, que agora que ainda está finalizando sua segunda década.

As pesquisas atacam diferentes nuances do processo infeccioso. Para entender melhor, vamos explicar um pouco mais sobre o vírus e a doença, e entender por que algumas medidas são efetivas e outras não.

1) COVID-19 é como chamamos a doença provocada por um vírus chamado SARS-CoV2. É comum jornalistas e entrevistados chamarem “o COVID-19” numa referência ao vírus, quando o correto é “a COVID-19”, pois estamos falando da doença. O vírus se chama SARS-CoV2, isso porque em 2002 tivemos uma epidemia com SARS-CoV, mas que ficou restrita a doze países, incluindo o Brasil, que chegou a ter mais de 800 mortes provocadas por este vírus.

2) O SARS-CoV2 é um vírus da família Coronaviridae, porque são esféricos e possuem projeções que lembram uma coroa, daí o nome Corona (coroa em latim). Os vírus apresentam uma estrutura bem simples. Os vírus são entidades que atuam como “parasitas intracelulares obrigatórios”. Isso quer dizer que só manifestam atividade biológica quando estão no interior da célula do seu hospedeiro. Por isso dizer “vamos matar o coronavírus” soa muito estranho. É possível “matar” quem não está vivo?

Estrutura do SARS-CoV2: envelope viral (em azul) e  o material genético do vírus (em tons avermelhados). Fonte da Figura: Site da SBAC. 

3) Os vírus têm uma estrutura muito simplificada: apresentam material genético (que pode ser DNA ou RNA) envolvido por uma cápsula ou envelope viral formada por lipídios e proteínas. No caso do SARS-CoV2 existem algumas particularidades. Eles têm como material genético o RNA de fita simples. Isso significa que mais rapidamente se reproduzem: ao penetrarem nas células hospedeiras o RNA rapidamente forma uma fita molde que “escraviza” os recursos genéticos da célula hospedeira, que passa a produzir sequências de RNA do vírus. Ou seja: nossas células produzirão novos vírus, usando recursos do nosso próprio corpo. O RNA de fita simples também tem como a característica a possibilidade maior de sofrer mutações mais rapidamente. Isso pode ser bom, pois pode produzir uma linhagem viral que perca a força de se disseminar e causar tantas mortes. Mas pode ser ruim, pois pode produzir uma linhagem ainda mais virulenta, que modifique muita coisa como a forma de infecção e até a sintomatologia da doença. Isso tudo será fruto do acaso.

3) O envelope viral do SARS-CoV2 é formado por uma dupla camada de lipídios. Então, quando lavamos as mãos com água e sabão ou detergente, o vírus simplesmente se desintegra. É como se estivéssemos lavando pratos engordurados: ao misturarmos água e detergente a gordura se desfaz, dissolvendo o envelope viral. Este é o efeito dos saponáceos e também do álcool, outro desintegrador de gorduras.

4) Já falamos que o vírus tem umas projeções (que o faz lembrar uma coroa - as estruturas com bolinhas amarelas da figura). Estas projeções são chamadas de Espículas e são feitas de proteínas. Elas são muito importantes no sucesso reprodutivo do vírus. Estas espículas é que são reconhecidas quimicamente pelas células das nossas mucosas (boca, nariz e olhos) e por isso as células aceitam o vírus infectá-las. Como nossas portas de entrada do vírus são as mucosas é este motivo que se recomenda o uso de máscaras. Assim quando alguém diz que tem o direito de andar sem máscara, está dizendo na verdade “tenho direito de permitir que o vírus chegue mais fácil nas minhas mucosas”.

5) Como já vimos que o vírus não “morre”, fica fácil entender porque, a rigor, medicamentos que matam protozoários, como a hidroxicloroquina (medicamento que combate muito bem o Plasmodium, causador da malária), e que eliminam vermes, como a ivermectina, propagados e usados nos protocolos de muitos hospitais, não são, comprovadamente, drogas que combatam o SARS-CoV2. Se assim fossem, há muitos anos já estaríamos usando-os para eliminar outros vírus. Ensaios laboratoriais determinaram alguma eficiência para estas e outras drogas, mas, definitivamente, não apresentam comprovação contra este vírus. Mas como todo medicamento, as drogas terminam pressionando o fígado, que é órgão do nosso corpo que retira impurezas. Este excedente de drogas pode comprometer a saúde hepática, por isso nunca devem ser usados sem o consentimento médico.

Agora que já está sabendo algumas coisas mais técnicas sobre o SARS-CoV2, que tal rever o que estava sabendo pelas redes sociais e jogar no lixo? Bom para você e bom para todos com quem se relaciona mais de perto.

Boa semana para todos (as).