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O medo da volta

A pandemia de COVID19 deixou todo o mundo assustado e em pânico com a perspectiva real de enfrentar uma doença terrível e que açoitou já perto de 1 milhão de pessoas no mundo inteiro (916.237 pessoas mortas neste exato momento em que escrevo o texto). A falta de solução para a doença permitiu a recomendação de paliativos como o uso de máscaras, banhos diários de álcool em gel a 70% e o pior de tudo: o isolamento social.

De todos os problemas o que mais afeta a todos, sem dúvida, é a necessidade do isolamento social. O mundo inteiro sofreu com a crise econômica, com a lida com um jeito diferente de conviver e se comportar, com a necessidade de ter paciência contra os intolerantes, com a corrupção que fez com que políticos espertalhões dessem mais um jeitinho de pôr a mão no erário etc. Enfim: um problema que desencadeou uma porção de outros problemas. Mas o segmento mais afetado, sem qualquer dúvida foi a educação.

O fato de o vírus ser facilmente transmitido de pessoa a pessoa e existirem grupos mais suscetíveis a sucumbirem ante a doença, impôs a necessidade de as escolas pararem. Persiste a grande dúvida se pessoas assintomáticas são transmissoras ou não da doença. Pais aflitos, precisando trabalhar, ainda que de casa, foram obrigados, do dia para noite, a prover a educação dos filhos com o irrestrito apoio das escolas. Escolas privadas, mais cuidadosas com o que entregam em termos de educação, assumiram meios alternativos e passaram a mesclar aulas gravadas com encontros ao vivo usando plataformas digitais que, cada dia mais aperfeiçoadas, passaram fazer parte da rotina de professores e outros atores escolares para mitigar os efeitos do isolamento.

Nas escolas públicas os problemas são bem maiores, pois as diferenças socioeconômicas empurram os mais pobres para o abandono e para o isolamento provocado por não terem meios para acompanharem as aulas, seja por falta de equipamentos ou pela falta de internet, ou porque os gestores não conseguem pensar fora da caixinha e não conseguem gerar meios alternativos de entregar um mínimo para manutenção das crianças vinculadas à escola.

O retorno, em determinados locais, tem levantado medo e ansiedade nos que se preparam para voltar. Seja pela morte de professores ou pelo aumento no número de professores doentes. Mas o que se deve fazer?

Vou emitir minha opinião, tanto como um observador desta pandemia e de suas consequências, como a de um educador preocupado com a situação. Vamos por parte:

1) Seria muito importante que as escolas planejassem um retorno de modo escalonado: apenas algumas turmas e com uma parte dos estudantes, apenas, de modo presencial.

2) Priorizassem os estudantes que vão se submeter a concursos como o ENEM.

3) Dessem a opção para os estudantes que, ou por terem comorbidades, ou mesmo não sentirem segurança, permanecessem em casa nas atividades remotas.

4) Seguissem todos os protocolos de segurança determinados pelas autoridades sanitárias. Caso não conseguissem garantir a segurança, permanecessem apenas com atividades remotas, mas cuidando para avaliar a efetividade do aprendizado remoto usando avaliações que medissem a aquisição de habilidades e competências neste período.

5) Que as escolas protejam seus professores, resguardando os que pertencem aos grupos de risco em atividades remotas.

Os prejuízos educacionais são imensuráveis, mas não seriam maiores do que perdas provocadas pelo retorno precipitado ou mal planejado. Há crianças que se adaptaram bem às atividades remotas, mas para os mais jovens a socialização é muito importante. Todavia, não há segurança para o retorno, a curto e nem a médio prazos, e este é o nó Górdio da questão.

Que a ciência consiga através de vacinas, antivirais, anticorpos monoclonais, imunização cruzada, ou qualquer outra estratégia, promover um retorno de todos ao mais próximo possível do que seria o normal. Que os educadores consigam promover estratégias que permitam aos estudantes que tirem a diferença do que deveriam ter aprendido este ano. 2020, por tudo o que já aconteceu, já pode ficar para trás.

Boa semana para todos (as) e até o próximo post...