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Montezuma ou Pessoa: eis a questão!

Hoje é o dia do segundo turno da eleição para Prefeito de Teresina, 29 de novembro. Dois candidatos se colocam para o eleitor escolher o que, na opinião de cada um, seria o melhor para cidade. De um lado o Professor e Economista Kleber Montezuma (PSDB), do outro o médico José Pessoa Leal (MDB).

O Prof. Kleber, meu colega de UESPI, reúne larga experiência administrativa, embora nunca tenha conseguido ocupar cargos eletivos. Já atuou como secretário de várias pastas, com destaque para educação, conseguindo levar Teresina à condição de melhor educação entre as capitais do país, conforme os indicadores oficiais.

O Dr. Pessoa, já reúne vários cargos ocupados no âmbito de eleições proporcionais, pois já foi Deputado Estadual e Vereador. Nunca teve experiência no executivo, tendo tentado se eleger prefeito em mais de um município, sem sucesso.

Fiz a minha escolha desde o primeiro turno e agora, no segundo turno, resolvi fazer uma leitura dos planos de governo de cada um dos candidatos e me surpreendi: não votaria em nenhum dos dois se fosse me basear apenas nos planos de governo! E explico: escrevo nesta coluna desde 2017 e foco meus textos em quatro temáticas: Ciência, Tecnologia, Meio Ambiente e Educação. Não há, em nenhum dos planos de governo nada que seja atrativo para qualquer destas áreas. Vamos aos detalhes: visitei os dois planos de governo e usei as palavras-chave Ciência, Tecnologia, Meio Ambiente e Educação de forma separada, usando o comando Control-F. Os resultados foram os seguintes.

Ciência

No plano do candidato Kleber Montezuma (KM) o termo Ciência aparece 13 vezes. Em 12 aparições está relacionado com as palavras Consciência, Deficiência e Eficiência. Apenas uma vez aparece no contexto correto, informando de uma parceria com o Ministério da Ciência e Tecnologia, no projeto de Smartcities (cidades inteligentes). Fiz o mesmo exercício no plano de Dr. Pessoa (DP). Foram 70 menções, com mais ou menos 90% das vezes também compondo as palavras Consciência, Deficiência e Eficiência. Nas poucas vezes que apareceu aplicado corretamente se referia a dados do Ministério da Ciência e Tecnologia, ou se referindo a laboratórios escolares ou compondo a expressão Ciência de Dados no segmento que fala sobre Inovação.

Tecnologia

O plano de KM faz 16 menções ao termo, mas sempre de forma genérica: “usar tecnologias...” em diferentes segmentos do plano desde coleta do lixo, transporte, educação etc. O plano de DP faz 17 menções, e também usa o termo de forma genérica.

Meio Ambiente

O plano de KM faz 10 menções à expressão, mas todas de forma genérica. Já o plano de DP faz 37 menções. Fiz uma leitura mais acurada e descobri um plano bem elaborado sobre o Meio Ambiente, incluindo facilitação de processos de licenciamento ambiental e alguns avanços como o IPTU Verde. Fui até uma lista de nomes que estavam encimados com expressão agradecimentos e lá vi o nome do colega Euller Paiva, biólogo, professor e advogado, técnico do IBAMA, com bastante conhecimento técnico sobre a área ambiental. Vi, sob meu ponto de vista, propostas factíveis e outras nem tanto, mas considero um avanço ver um plano que se preocupa com redução de carbono, numa saída local para um problema global.

Educação

No plano de KM constam 22 menções ao termo Educação. Algumas vezes usada de forma mais genérica “mais saúde e educação”, mas com um foco alinhado com o aspecto mais forte do candidato, visto que ocupou a secretaria de educação por um tempo longo. Embora menos detalhado do que o de DP, que menciona “educação” 98 vezes no seu plano, o plano de KM traz o que ele chama de vetores bem factíveis e antenados com os problemas atuais do segmento educacional. Com relação a temática, o Plano de DP também traz propostas bem fincadas na realidade e nas necessidades da cidade. Detalha pormenores que são a bandeira da atual gestão (o foco nas Olimpíadas Escolares e Escolas de Tempo Integral, por exexmplo) e que embora não sejam novidades, são importante menções e comprometimentos com a população, especialmente em continuar o que vem de fato dando certo.

Deste modo, como diria em artigo qualquer, “à guisa de conclusão”, o que vi foram dois planos que tem muito do “arroz com feijão” e uma atenção pouco direcionada para temas que são de grande relevância como o conhecimento científico. O plano de DP traz um diagnóstico interessante e completamente verdadeiro de que o Piauí é um dos últimos estados em aplicação de recursos para áreas de Ciência e Tecnologia. Atuei na gestão de três governos e assino embaixo deste diagnóstico. Uma vez discuti com um colega que defende a ideia de que Ciência é um luxo, frente aos problemas que estados e municípios passam em segmentos mais básicos, como saúde, educação, transporte, segurança e assistência social. Mas se a semente não for plantada, a planta nunca surgirá.

Rogo para que o eleitor saiba escolher hoje o prefeito pelos próximos quatro anos. Que vote consciente. Consciente do seu erro ou de ser acerto. E se o melhor não for o eleito na próxima eleição o jogo vira. Viva a Democracia!

Até o próximo post...