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Ensino híbrido: uma realidade necessária

Uma das coisas que a pandemia de COVID-19 nos ensinou é que a vida vai demorar muito a voltar ao que era antes. Conhecendo o efeito e a forma como os vírus têm se comportado, na condição de parasitas intracelulares obrigatórios, creio até que o mundo jamais voltará ao que era antes.

A educação, que foi um dos segmentos mais afetados pela manifestação mundial do SARS-CoV2, terá que ajustar-se à nova realidade. Este processo envolverá muitas atividades híbridas, que desafiam escolas e professores a se reinventar e criam necessidades para o estudante. Atribuímos ao Ensino Híbrido um meio de ajustar a amálgama entre escola, professores e alunos. Mas o que o Ensino Híbrido?

A forma de ensinar terá, da pandemia pra frente, que combinar atividades presenciais e não presenciais. Isso porque, mesmo com o arrefecimento da doença e a chegada da vacina, ainda levará um período razoável para que os pais tenham segurança para mandar seus pequenos para escola. A doença se manifesta de modo muito mais letal em idosos e portadores de comorbidades, mas as crianças também podem ser afetadas, também podem manifestar sequelas e o principal, podem se tornar vetores da doença, levando para casa o agente contaminante.

Neste sentido, as boas escolas devem incorporar práticas de aulas gravadas e atividades a serem desenvolvidas a distância para aquelas crianças, cujos pais optarem por mantê-las em casa. Mesmo sabendo que há um prejuízo muito grande para o processo de socialização, uma das mais importantes características da educação para esta faixa etária. O cardápio de opções remotas inclui o uso de plataformas com atividades de tela para serem usadas pelas crianças, sob orientação dos pais.

Pelo lado das escolas há todo um investimento em equipamentos, especialmente a presença de estúdios e computadores e softwares cada vez mais sofisticados, seja para gravação das aulas, seja para transmissão e para proporcionar a interação entre estudantes e professores. Os professores estão precisando se reinventar, pois precisam transferir o processo de ensino para plataformas que funcionam como salas de aula virtuais, para permitir que suas aulas cheguem, conduzidas pelos bits da internet, uma ferramenta de integração cada vez mais necessária, nestes tempos de isolamento social.

O certo é que levará muito tempo para retornarmos à tranquilidade de vermos pais deixando suas crianças na escola, sem o medo constante destas retornarem trazendo no seu corpo um vírus tão perigoso quanto este que circula por todas as partes do mundo. As vacinas chegarão, mas não são garantias imediatas de que o mundo voltará ao normal. Os vírus têm o poder de modificarem seu material genético com grande rapidez e o SARS-CoV2 tem como material genético o RNA, um conjunto de informações formado por uma fita simples que, exatamente por isso, consegue modificar-se rapidamente, gerando novos vírus já modificados em relação ao modelo inicial. Novas mutações são novos vírus, ou seja, uma nova necessidade de se continuar estudando formas de combatê-los.

Temos muito a aprender, na convivência com esta nova realidade. Precisamos nos reinventar todos os dias e, principalmente, combater o negacionismo e a desinformação que assolam a sociedade, seja por ignorância ou por uma crença em políticos ignorantes. Estarmos abertos e informados é a maior e mais poderosa de todas as armas.

Bom domingo e boa semana para todos e todas.