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Os olhos da Ciência em 2021

A Revista Science da semana que passou apontou uma série de áreas que merecerão destaque em 2021 apesar da COVID-19. Falo apesar desta doença porque existem atualmente muitos esforços, espalhados pelo mundo inteiro (e eu já falei disso várias vezes aqui no Ciência Viva) buscando vacinas, medicamentos, novas formas de tratamento, novas formas de proteção, novas formas de diagnóstico, ou seja, novos meios para se enfrentar a doença do século XXI.

Cientistas do mundo inteiro contam com barreiras, como é o caso do britânicos, às voltas com o Brexit, os brasileiros, às voltas com os cortes volumosos de recursos e a ingerência do Presidente da República na nomeação dos reitores e um alento para os pesquisadores do EUA, com a eleição do democrata Joe Biden. Aproveito para, neste primeiro post de 2021, reproduzir de forma suscinta quais os desafios que serão notícia em 2021.

Aquecimento global

Apesar do atraso provocado pela pandemia, os pesquisadores vinculados ao IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas) finalizaram e estão prestes a divulgar o novo relatório dando conta dos avanços do aquecimento global. Com estes dados atualizados será possível, com maior exatidão, ver o avanço do derretimento das calotas polares, das ondas de fogo e calor e as medidas tomadas para compensação dos problemas.

Saúde Pública

A Organização Mundial de Saúde designou 10 pesquisadores que atuam na área de virologia para mapeamento de parentes próximos do SARS-CoV2, incluindo a confirmação da sua origem, na região de Wuhan. A ideia é prevenir futuros vírus pandêmicos. O grande desafio é vencer a desconfiança política existente entre EUA e China, gerada pelo disse me disse puxado pelo Presidente Donald Trump.

Doenças infecciosas

Apesar dos esforços em gerar vacinas eficientes na prevenção à COVID-19, a indústria farmacêutica insistirá no desenvolvimento de fármacos visando o combate à infecção da pneumonia viral provocada pelo SARS-CoV2. A ideia é partir para o desenvolvimento de drogas que combatam o ciclo viral com maior eficiência e que possa minimizar os efeitos de doenças provocadas por novos vírus que possam surgir, assim como o Remdezivir e outras drogas, não projetadas contra a COVID-19, ajudaram a resolver alguns quadros infecciosos.

Ciência espacial

Ao todo já foram enviadas 18 sondas espaciais para Marte, como o Rover Curiosity que completou em agosto oito anos que pesquisa a superfície do Planeta Vermelho. Este ano mais duas sondas serão enviadas: a americana Perseverance, com a ideia de coletas amostras do solo marciano e retornar para a Terra e a chinesa Tianwen-1, que será o primeiro avanço chinês rumo à pesquisa em Marte. Vamos aguardar novidades nesta exploração.

MARS Rover. Fonte: NASA.

Microscopia

Os pesquisadores que atuam observando ultraestruturas e moléculas avançarão mais ainda em 2021, com aperfeiçoamento de técnicas de microscopia crio-eletrônica (Cryo-EM). A Cryo-EM e a Cristalografia de Raios-X serão usadas na investigação de moléculas úteis à saúde humana e no estudo da causa de doenças provocadas pela disfunção de determinadas moléculas, como proteínas, por exemplo.

Astronomia

A NASA já está pronta para lançar, o que está previsto para outubro, o Telescópio James Webb que será o substituto do Telescópio Hubble. Com uma capacidade seis vezes maior que o Hubble na captação de luz, o Webb já consumiu um orçamento de 8,8 bilhões de dólares e será lançado pelo foguete europeu Ariane 5 em uma base na Guiana Francesa.

Telescópio Hubble. Fonte: NASA.

Energia

2021 será o ano em que o Joint European Torus (JET), um reator nuclear existente no Reino Unido, será alimentado novamente com uma mistura de isótopos de Hidrogênio Deutério-Trítio (DT) visando gerar um maior aproveitamento energético. Os testes servirão para o planejamento de um reator ainda maior em construção na França chamado ITER.

Nutrição

Um estudo desenvolvido de forma pioneira no Bangladesh com 60 crianças desnutridas, poderá subsidiar grandes programas de reparação dos microbiomas intestinais, efeito da desnutrição em bebês. A pesquisa está usando um suplemento alimentar feito de grão de bico, banana, farinha de soja e amendoim de baixo custo e está obtendo excelentes resultados.

Conservação dos mares

A ONU está fechando um novo tratado visando a conservação dos mares e oceanos que estão fora da jurisdição dos países detentores de zonas litorâneas e marítimas. A ideia é criar Áreas Marinhas Protegidas com a finalidade de preservar a biodiversidade marinha. Para isso está sendo criado um novo organismo que funciona nos moldes do que preserva a região da Antártida.

Arqueologia

Em 2021 estudos combinando técnicas de estudos do DNA associado com o exame de microfósseis e patógenos extraídos de ossos, dentes e fezes fossilizadas pretendem responder perguntas clássicas como por exemplo: Qual a origem territorial dos filisteus da Bíblia? Qual a identidade dos primeiros anglo-saxões e gregos da Europa? Ou mesmo: qual a origem das múmias da China e do Egito? Muitas respostas sairão desta combinação de investigações.

Estas e muitas outras pesquisas farão de 2021 um ano cheio de novidades no campo da Ciência. Vamos esperar e torcer por um ano melhor.

Boa semana para todos e todas e até o próximo post...