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Ciência Viva - Portal Cidade Verde fazem ponte entre pesquisa e investidores

Desde 2014 tinha o sonho de colocar investidores da iniciativa privada frente a frente com pesquisadores, para ver se a partir deste diálogo conseguia alternativas de financiamento para pesquisa no Piauí. Incentivado pela empresária Patrícia Rodrigues (Grupo Cacique) que foi titular da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico e Tecnológico (SEDET), na função de Superintendente Estadual de Ciência e Tecnologia consegui reunir alguns empresários da Federação das Indústrias do Estado do Piauí (FIEPI) e da Associação Industrial do Piauí (AIP), para que pelo menos trocassem ideias.

As conversas foram bem promissoras, mas logo finalizei minha passagem pela superintendência e o diálogo esfriou. No ano seguinte, 2015, já sob os auspícios da Lei de Inovação que incentiva e regulamenta este tipo de iniciativa, levei a ideia para o Deputado Nerinho, novo titular da SEDET e conseguimos estabelecer um diálogo entre o Sindicato das Indústrias Químicas e Farmacêuticas do Estado do Piauí, através do seu então presidente, empresário Roger Jacob, que fez uma doação financeira para o grupo de professores do Curso de Química da Universidade Estadual do Piauí (UESPI). O contato ficou aí.

Percebi que há entre os dois segmentos uma desconfiança mútua. O que parece é que os empresários desconfiam que perderão recursos investindo nas pesquisas e os pesquisadores parece sentirem-se pressionados por resultados, que podem inclusive não acontecer, dado que se trata de fato de uma aposta. Uma espécie de “tiro no escuro orientado”. O que é bem a gênese do processo de financiamento da pesquisa no Brasil: investimento apenas de dinheiro público! O setor privado não investe nem de longe o que vem por recursos públicos. Mas em tempos que os investimentos em leite condensado quase superam o orçamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), toda e qualquer iniciativa de financiamento por entes privados será sempre válida.

Em 13 de janeiro publicamos no Ciência Viva um post falando da pesquisa com o Jaborandi, planta que produz alcaloides que já são usados pela indústria farmacêutica, mas que apresenta uma forte tendência de inibir os efeitos do SARS-CoV2 (reveja a matéria aqui). A pesquisa, desenvolvida pelo estudante de Doutorado Ézio Sá (Doutorado em Química da Universidade Federal do Piauí), orientada pelo pesquisador Francisco Lima, da Universidade Estadual do Piauí, mostrou resultados bem promissores, na etapa in sílico, ou seja, nos testes feitos por simulação de computador.

A repercussão da matéria no Portal Cidade Verde e nos demais meios de comunicação atraiu a atenção da empresa Sourcetech Química Ltda. A empresa mantém uma unidade agrícola de plantio do jaborandi na cidade de Barra do Corda (MA) e ficou interessada em conversar com os pesquisadores. Emissários da empresa contataram os pesquisadores com a nobre finalidade de “ajudar no que for preciso” para que as pesquisas continuem.

As negociações entre a empresa e o grupo continuam e há grande possibilidade de o apoio sair permitindo a continuidade para etapa em in vitro, a ser desenvolvida em um centro de pesquisas mais robusto, mas vinculado aos pesquisadores locais. A possibilidade de continuidade abrirá uma nova frente de combate à pandemia, pois o desenvolvimento de drogas inibidoras tornará a COVID19, uma doença mais fácil de ser combatida.

Para os pesquisadores e para empresa apoiadora há a perspectiva real de uma patente obtida a partir do avanço dos resultados. Para mim, que escrevo semanalmente para o Ciência Viva e para os que fazem o Portal Cidade Verde o grande prazer de termos cumprido com a missão de informar e de funcionarmos como elos desta corrente em prol da solução de um problema mundial.

Viva a Ciência!!! Ciência Viva!!!

Até o próximo post...