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O que a pandemia me ensinou

Estes dias de pandemia tem me deixado bastante reflexivo sobre o valor de determinadas coisas, pessoas e atitudes. Venho ponderando situações que alternam meu estado entre apreensão, medo, indignação e outro sentimentos que povoam meu dia, recolhido às minhas escolhas e minhas alternativas, focadas no trabalho, mas com uma sensível perda de produtividade cerceada por todos os sentimentos que ocupam meu cotidiano. Venho aprendendo muito e queria deixar algumas coisas registradas neste espaço.

Ouvi um dia desses, de uma pessoa muito amiga, que o mais difícil na perda, provocada por esta doença terrível, é a sensação de impotência e a dificuldade em não poder sequer se despedir de quem se ama, não rompendo com o ciclo da vida, dados os riscos de contaminação.

Ouvi de um parente próximo que, o desespero provocado pela doença, faz o doente pedir pela morte, já que não há uma alternativa, quando as coisas começam a piorar bastante. Imagino como deve ser porque sofri muito com asma na infância e garanto: não tem nada pior do que puxar o ar e ele não vir.

Aprendi com uma aluna antiga, hoje médica, lamentando pela prematura morte da mãe e arrependida por ter ficado tão distante dos pais para tentar garantir uma segurança que não existe, porque ainda que tenha encontrado a mãe meia dúzia de vezes no ano passado, não conseguiu evitar que ela se contaminasse e partisse sem poder sequer se despedir.

Tenho refletido muito com tudo isso e fico estarrecido com o quanto as pessoas, do alto da sua mesquinhez, ainda não conseguem enxergar que a situação está muito ruim. Que defendem seus políticos de estimação, mesmo sabendo que não temos vacinas suficientes porque não foram compradas e que as vagas nos hospitais escassearam porque a hora de manter leitos extras em hospitais de campanha era agora quando um novo pico avança e elimina a todos sem distinção. Os que tem mais recursos procuram centros mais avançados. Às vezes dá certo. Às vezes, não.

Achei sórdida a atitude de empresários que pagaram por uma dose de placebo de vacina em um golpe em Minas Gerais dado por uma espertinha que enganou empresários vendendo vacina “feita” de soro fisiológico. Devem ter se sentido “passados para trás” quando tentavam passar o resto do povo pra trás.

Quero aproveitar para dizer, entre outras coisas, que não existe tratamento precoce. Que eu desejaria muito que existisse, porque seria a salvação da humanidade, neste momento em que, até os países que estão vacinando fortemente, mas não conseguiram manter por mais tempo suas medidas de restrição, estão sofrendo nova avalanche de casos, como é o caso do Chile, por exemplo.

As novas – boas e más – notícias reforçam que deveríamos estar mais atentos para este momento e aproveitar as melhores lições, pois o fato é que não está sendo fácil para ninguém. Tenho fé de que se conseguirmos avançar e atingir a imunidade de rebanho (quando tivermos de 70% a 80% de vacinados ou contaminados curados), a situação será melhor controlada.

Tenhamos fé!

Boa semana para todos (as).