Cidadeverde.com

Variantes do Coronavírus: você sabe como surgem e atuam?

A pandemia de COVID-19 vai ganhando contornos preocupantes quando passamos a conhecer a realidade sobre a biologia do SARS-CoV2. A imprensa anuncia o surgimento das variantes e aí resolvi falar um pouco sobre isso, para trazer informações e ajudar na compreensão do público em geral. Vou fazer isso em forma de perguntas e respostas, porque assim já notei que a compreensão melhora sobre o assunto. Vamos lá!

O que são as novas variantes do Coronavírus?

As variantes, como o próprio nome sugere, são novas formas virais. Elas resultam de mutações no material genético do vírus. De uma forma geral, o material genético é o responsável pelas características dos seres vivos. Se temos os olhos verdes, por exemplo, é porque nosso material genético conferiu esta característica. Se o material sofre mudanças, as características mudam. Assim, pegando nosso exemplo da cor dos olhos, o material genético de quem tem olhos castanhos é ligeiramente diferente de quem tem olhos verdes.

Como as novas variantes se formam?

Os vírus são parasitas celulares. Assim, para sofrer mudança em seu material genético, o vírus precisa sair contaminando mais e mais células dos seus hospedeiros, no caso aqui dos humanos. Todas as vezes que seu material genético “contamina” uma célula, está passivo de sofrer mudanças. Estas mudanças podem ser de toda a natureza, pois elas ocorrem por mecanismos aleatórios, ou seja, “na sorte”. Pode gerar mudanças que transformam os vírus em “piores” ou “melhores”. Piores seriam aqueles que ficariam defeituosos e perdessem a capacidade de se reproduzir ou de gerar problemas nos hospedeiros, o que seria muito bom para nós. Melhores se ganhassem mais poder na hora de contaminar e de se espalhar, gerando mais hospedeiros doentes, que seria ruim para nós.

As novas variantes são perigosas do que os primeiros vírus – os originais?

Não necessariamente. Como vimos na pergunta anterior pode ser que se tornem “melhores”, ou seja mais eficientes no processo de contaminação e espalhamento da doença ou não, se tornando “piores”, ou seja, mais fáceis de serem debelados por nossas defesas.

Quantas e quais variantes já foram encontradas?

Eis uma pergunta difícil de responder. Estimam-se que, atualmente, circulam cerca de 90 variantes só no Brasil. Os cientistas dividem as variantes em dois grupos: VOC (Variant of Concern, em tradução aproximada: Variante de Preocupação) e VOI (Variant of Interest, em tradução aproximada: Variante de Interesse). As mais conhecidas são as cepas: B.1.1.28; B.1.1.29 e B.1.1.33. Isso mesmo que você está entendendo: os nomes delas são formadas por combinações entre letras e números. Destas principais surgiram as que a imprensa costuma chamar com base na geografia. Por exemplo: a B.1.1.7 seria a variante da Inglaterra e a B.1.351 seria a variante da África do Sul. As duas já são consideradas VOCs. Aqui no Brasil tem a P1 que é derivada da B.1.1.28 chamada popularmente de Variante de Manaus e a P2, também derivada B.1.1.28, chamada de Variante do Rio de Janeiro. A P1 já é considerada uma VOC, enquanto a P2 ainda é considerada uma VOI. No começo de abril os cientistas identificaram a N9 que é derivada da B.1.1.33, chamada popularmente de Variante de São Paulo, e que ainda é uma VOI.

Em artigo publicado recentemente, foi revelada a existência da B.1.177, chamada de Variante da Espanha, que seria uma derivada da B.1.1.7 (Variante da Inglaterra), mas que, aparentemente deixou de circular. Artigo recente da Revista Virology identificou a existência de 17 mutações na B.1.1.7, o que pode culminar em novas variações. Nos EUA circulam as variantes B.1.427 e B.1.429, ainda com status de VOI.

Até que ponto estas variantes podem tornar as vacinas ineficazes?

Trata-se de outra pergunta bastante difícil de responder. Um dado importante é que, apesar desta “sopa de letras e números” ser complexa e imprevisível, muitas destas mutações e variações incidem sobre a mesma característica. Assim, embora com pequenas variações no agente viral, os anticorpos agiriam com a mesma eficácia. Por exemplo: das 17 mutações da Variante da Inglaterra, oito atuam sobre as espículas virais. Assim, os anticorpos para qualquer um destes oito tipos, agiriam exatamente da mesma forma, não acarretando tantos prejuízos na imunização de pacientes que estivessem sendo atacados por qualquer uma destas variações.

No fim das contas o que seria mais importante neste momento? Não relaxarmos nas medidas de isolamento social, continuarmos com cuidados usando máscaras e higienizando as mãos com álcool gel e torcendo para que cada vez mais pessoas sejam imunizadas. Quanto mais pessoas atingirem o estágio de imunização, menos os vírus circularão. Quanto menos pessoas pegarem o vírus, menos eles sofrerão mutações e, consequentemente, menos variantes surgirão.

Boa semana para todos (as).