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Volta às aulas presenciais

No último dia 20 de abril foi aprovado na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei (PL) nº 5.595/2020 que torna a Educação Básica e a Educação Superior como serviços essenciais no Brasil, frente à pandemia de COVID-19. Na prática, ao tornar essenciais os serviços relacionados à educação básica e superior no Brasil, as redes e escolas ficam instadas a criarem as condições para que as aulas e demais atividades voltem a ser presenciais. Mas isso é bom ou ruim?

Como professor avalio como positivo o retorno à sala de aula para quem quiser e quem puder voltar. Explico: para crianças pequenas – Educação Infantil e primeiros anos do Ensino Fundamental – o desafio das aulas remotas tem se mostrado mais do que um “desafio”, mas uma verdadeira maratona. As crianças mais novas (já falamos isso algumas vezes) tem sérias dificuldades para se ligarem em telas para assistir aulas remotas. Fazem parte das estratégias de aprendizagem nesta faixa etária o contato com outras crianças e com professores, sem qualquer dúvida, além de atividades e brincadeiras que estimulam o aprendizado e o convívio social.

O custo da volta às aulas presenciais, desta vez como atividade essencial, obrigará governos a vacinarem os trabalhadores em educação de forma prioritária, dado que foi um grupo que se mostrou bastante vulnerável com o início do ano letivo de 2021, com a perda de alguns profissionais que adoeceram e não conseguiram se recuperar. A educação deveria ter sido prioridade desde o início, como fizeram países do primeiro mundo como Dinamarca, Noruega e Coreia do Sul, por exemplo.

A estagnação do setor educacional pode trazer danos irreparáveis para muitos estudantes. Aqui no Piauí já são computados prejuízos para estudantes da rede estadual e das redes municipais, além de prejuízos imensuráveis para estudantes de ensino superior da Universidade Estadual que passaram o ano de 2020 praticamente parados devido a inércia da gestão. Talvez a inércia ajude a explicar por que deputados ligados ao setor educacional no Piauí tenham votado contrariamente à aprovação da PL que agora segue para o Senado para votação.

A volta às aulas que se exige, em caso de se tornar de fato um serviço essencial, é de forma segura para os estudantes e para os profissionais da educação. No formato remoto, os professores ainda sofrem com a pecha de que não estão trabalhando ou não querem trabalhar. Nunca se trabalhou tanto neste segmento.

Não é de estranhar que autoridades políticas das três esferas (federal, estadual e municipal) prefira que as escolas estejam paradas. Como dizia Nelson Mandela: a educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo. Assim, com muita gente educada, gestões ruins e políticos ruins podem ficar arruinados.

Boa semana para todos (as).