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Mulheres e mães na Ciência

Dia destes, conversando com uma amiga, ela me indicou dois livros infanto juvenis que tinha adquirido para seu filho. Os títulos me chamaram a atenção pela fabulosa proposta de mostrar para crianças o valor que determinadas pessoas tiveram ao longo de suas vidas, em diferentes segmentos sociais, e na forma como os autores discorreram sobre estas “biografias” reduzidas. “20 garotas extraordinárias que mudaram o mundo” e o correspondente “20 garotos extraordinários que mudaram o mundo”. Como sou um bibliófilo inveterado busquei adquirir.

Fonte: www.amazon.com.br.

O livro das garotas traz a história de 20 meninas que se transformaram em mulheres que marcaram fortemente as áreas que trabalharam. Seja como artistas, atletas, exploradoras, cientistas ou escritoras, a obra traz em um texto bastante acessível detalhes sobre estas importantes mulheres, desde a infância até o atingimento do ápice em suas carreiras. Isso me estimulou a falar hoje, Dia das Mães, sobre mulheres pesquisadoras.

O Netflix exibe desde algumas semanas atrás o filme Radioactive, que conta um pouco da história da física polonesa, naturalizada francesa, Marie Sklodowska-Curie. Marie Curie, que foi casada com o cientista francês Pierre Curie foi a responsável por desvendar a Teoria sobre a Radioatividade e a descoberta de elementos como Rádio e o Polônio. Marie foi a primeira mulher a ganhar dois prêmios Nobel e a única pessoa na face da Terra a ter ganho o prêmio em duas áreas diferentes. Formou-se em Física e fez estudos em Química e Matemática. Veja o trailer do filme disponível em canais de Streaming como Netflix e Prime Vídeo.

Marie foi mãe de duas meninas: Irene e Eve. Irene seguiu os passos da mãe se tornando uma importante pesquisadora na área de física. Foi ganhadora, juntamente com o marido do Prêmio Nobel de Física de 1935. Eve, a filha caçula de Marie e Pierre Curie se tornou uma importante escritora e foi a responsável por escrever a primeira biografia da mãe. Apesar de ser uma cientista muito ocupada, Marie cuidou pessoalmente da educação das filhas, mesmo depois da trágica morte do marido Pierre, atropelado por uma carruagem.

Marie Curie é o melhor estereótipo de representatividade da força das mulheres para ciência. Apesar de viverem em um meio onde existem muitos homens com perfil de machistas e misóginos, as mulheres têm conquistado importantes espaços em instituições de pesquisa como institutos e universidades.

A ciência cobra um custo muito alto para os que resolvem seguir carreira, principalmente para as mulheres que, muitas vezes, optam por uma vida solitária e sem filhos em razão da carreira. Quando constituem família precisam vencer verdadeiras batalhas para impor suas necessidades e afirmação profissional. Acompanhar a vida de um pesquisador também não é fácil. São guerreiras cheias de méritos as mulheres que escolhem se casar com pesquisadores e tomam de conta da família e dos seus próprios afazeres profissionais em nome de uma parceria que nem sempre é reconhecida.

A Jorn. Ana Flávia Soares foi uma formidável assistente de pesquisa, durante meu Doutorado. Fonte: Arquivo Pessoal.

O que seria da ciência sem a força feminina?

Bom domingo e feliz Dia das Mães!!!