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Estupidez

Esta semana o mundo inteiro acordou com a péssima notícia que a Rússia havia invadido a Ucrânia, atacando a partir de várias regiões (não só pelas regiões da fronteira com a própria Rússia). Mas o que leva um soberano, com Wladimir Putin, passar semanas se movimentando em torno de um ataque, e sempre que perguntado, responder de pronto que não se previa uma guerra e de repente inicia a guerra? A melhor resposta para isso é: Estupidez.

A situação lá não é muito fácil. Até a década de 1990 Rússia e Ucrânia e mais uns 20 países faziam parte da antiga União Soviética. Para quem não é dessa época, este monte de países era uma nação só regida pelo regime comunista. A partir de 1991 houve a dissolução da União Soviética e vários países surgiram, demonstrando a pluralidade social de uma região continental, como era de se esperar. Com a ascensão de Wladimir Putin como primeiro-ministro e depois com suas manobras que permitiram que ele possa passar até quase 40 anos no poder, a situação do cidadão médio comum russo melhorou bastante, fazendo com que boa parte da sociedade lá o ache um bom governante. Com muito poder nas mãos (uma aceitação superior a 80%), Putin passou a pensar em se proteger da eterna Guerra Fria com o Ocidente que, na verdade, nunca deixou de existir. Acuado pela debandada de muitas nações que pertenciam a federação russa para formar bloco com países europeus, como no caso da Estônia, Letônia e Lituânia, acendeu no Governo Putin o “medo” de uma debandada ucraniana, no mesmo sentido. A confusão toda gira em torno da adesão da Ucrânia à OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), que os russos não aceitam, porque aí passariam a ficar cercados, por todos os lados, com países membros da Organização.

E como fica a ciência com a guerra entre nações-irmãs?

Na antiga União Soviética, as ações de ciência e tecnologia eram acompanhadas de perto pelo Governo. Inclusive, lá pela década de 1950 a corrida espacial fazia com que cientistas de diferentes regiões se concentrassem em estudos que permitiram manda para o espaço a cadela Laika e depois o Astronauta Yuri Gagarin, o primeiro ser humano a orbitar em torno da Terra. Após a separação política, cientistas de diferentes nações da Federação russa continuaram a se relacionar e até a trabalhar em conjunto. Esta semana, depois dos primeiros bombardeios, o pesquisador russo da área de genômica, Mikhail Gelfand e sua esposa, lideraram o lançamento de uma carta que repudia a ação de invadir a Ucrânia. A carta já conta com 370 assinaturas e foi publicada no site independente TrV-Nauka, que publica notícias sobre ciência. A preocupação do pesquisador vai além da segurança da população ucraniana. Para ele, o ato de entrar em uma guerra sem sentido, em pleno século XXI, pode transformar a Rússia em um pária mundial, isolando parcerias entre pesquisadores.

Acho que a diplomacia pode reverter a situação. Não tenho autoridade para falar da geopolítica que move a situações como estas. Assim como também não consegui compreender o aumento dos combustíveis em mais de 60 centavos o litro da gasolina em Teresina em menos de 12 horas do início da Guerra, e muito menos o aumento dado no Etanol que se extrai da cana-de-açúcar, que até onde sei não vem da Rússia e nem da Ucrânia. Mas alguém deve saber responder sobre isso.

Que esta guerra sucumba o mais rápido possível. Autoridades ucranianas já demonstraram que a Usina de Tchernobyl, instalação abandonada em razão do maior acidente nuclear já ocorrido na história aumentou suas taxas de radiação. Esta é uma estupidez mesmo desmedida.

Boa semana para todos (as).