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Educação domiciliar

Esta semana o assunto do momento é tramitação no Congresso Nacional em regime de urgência da regulamentação da educação Domiciliar ou Homeschooling. Mas qual é o problema de regulamentar que crianças possam ser educadas pelas famílias? Acredite: tem muito problema nisso.

Sou de uma geração que aprendeu muito a valorizar a escola. Sou de uma família de professores e fiz da educação a minha profissão. A escola, para mim, é um dos lugares mais ricos em experiências. É uma janela de oportunidades. É onde descobrimos muita coisa legal e por onde passamos por experiências desafiadoras. É lugar também para se conhecer o que é bom e o que é ruim. Mas é um verdadeiro ensaio para o mundo como ele realmente é.

Na escola, por mais deficiente que seja, há um plano voltado para organização do aprendizado. Profissionais que se formaram com o objetivo de ensinar. Fico pensando que a ideia de se ensinar a criança fora da escola deve vir de pessoas que são potências em termos de conhecimento e habilidades na arte de ensinar. Mas conhecendo a realidade educacional brasileira acho que não é bem assim. Fico pensando: na minha casa meu pai era professor de Matemática e minha mãe de História. Poderia ter tido uma ótima educação domiciliar porque vivia num ambiente bem favorável. Mas essa não é a realidade da grande maioria dos brasileiros.

Imagine que o Congresso dê a louca e aprove isso, sem discutir (porque é o que proporciona o tal “regime de urgência”). De acordo com o IBGE, apenas 12% da população brasileira é considerada proficiente em conhecimentos gerais. Teremos aí um séquito de crianças que não tem como mudar sua realidade porque estão aprendendo com as pessoas erradas. Por mais que se diga que pode ser melhor, corroborando as palavras da atual presidente do Conselho Nacional de Educação: “a escola é insubstituível”.

Torço para que o bom senso impere nesta questão. A escola é o lugar onde as pessoas podem mudar sua vida.

Até o próximo post...