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Teve COVID moderada? Saiba que ainda pode estar com o vírus...

A Covid-19 é uma doença realmente muito estranha, e tem desafiado médicos, cientistas, que lidam com as surpresas e novidades de um agente patogênico com modus operandi diverso e, principalmente pacientes, que podem ter sintomas diferentes para uma mesma doença, sui generis.

A minha experiência com a COVID foi assim: depois de tomar duas doses e um reforço da vacina da Pfizer, tive um quadro de COVID bem leve. Muita congestão nasal, derramando litros de coriza, uma dor de cabeça leve. No primeiro dia dos sintomas tive febre e dores no corpo. Fiquei cinco dias me sentindo doente, mas nada que merecesse uma preocupação maior. Finalizado o período de isolamento, desenvolvi uma infecção intestinal que durou meses. Falei com o médico que me disse que tinha atendido pacientes com o mesmo quadro. Me recomendou um medicamento para regularizar o trânsito intestinal, que vem ajudando bastante nisso.

Para meu espanto, acabei de ler um artigo disponível na National Library of Medicine, com o título “Gastrointestinal symptoms and fecal shedding of SARS-CoV-2 RNA suggest prolonged gastrointestinal infection” (Sintomas gastrointestinais e eliminação fecal de RNA SARS-CoV-2 sugerem infecção gastrointestinal prolongada, em tradução livre). Neste trabalho os pesquisadores analisaram material biológico de 113 pacientes que tiveram COVID-19 moderada e descobriram que 12,7% dos pacientes continuavam expelindo RNA viral do SARS-CoV2 quatro meses após terem sido considerados curados por não testarem positivo nos exames com amostras orofaríngeas, e cerca de 3,8% permaneciam expelindo o RNA viral pelos intestinos, sete meses após a doença.

Com estes resultados concluiu-se que a doença, nestas cepas mais brandas, de fato é sistêmica e continua no organismo, mesmo depois que a infecção no trato respiratório desaparece, e que há a possibilidade de que seja transmitida por resíduos fecais, o que reforça a necessidade de cuidados higiênicos, sobretudo após fazer uso dos banheiros e, ainda, de que se trata realmente de uma doença muito estranha.

Boa semana para todos (as)!