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Varíola dos macacos: uma nova epidemia?

Ainda nem saímos de um pesadelo chamado COVID19 e um novo elemento do mundo das viroses surge no horizonte: a varíola dos macacos. Ao ouvir a palavra Varíola, qualquer estudante do Ensino Médio sabe que falamos de uma doença infecciosa viral que assolou o mundo, mas foi considerada uma das primeiras doenças a ser eliminada do Planeta graças à efetiva ação científica de produzir vacinas e usá-las em escala mundial promovendo o fim deste mal que assombrou o mundo.

Particulas do vírus da Varíola do Macaco. Fonte: Science.

A varíola foi uma doença muito temida ao longo do século XX. Maltratava bastante os pacientes e matou cerca de 300 milhões de pessoas, mais do que todos os mortos juntos de todas as grandes guerras do mesmo século. A varíola era causada pelo Orthopoxvirus variolae, e foi considerada extinta pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em 08 de maio de 1980, graças ao esforço das autoridades em saúde de promover campanhas bem exitosas de vacinação. Pesquisas apontam que a doença não foi devastadora apenas no século XX. Há relatos históricos de que populações inteiras de indígenas Astecas, no México, tenham sido dizimadas pela contaminação trazida pelos espanhóis durante o processo de colonização da Mesoamérica.

A novidade agora é um vírus da mesma família do Vírus da Varíola só que típico dos macacos. Sua primeira aparição foi na década de 1950. Muito provavelmente o vírus original sofreu uma mutação e passou a contaminar pessoas. De acordo com matéria publicada na Revista Science da semana passada, mais de 2000 casos já foram relatados, de maio para cá, em 30 países onde o vírus não é endêmico. A transmissão ocorre por contato com pessoas contaminadas, gotículas de saliva e contato com animais que portem o vírus (apesar do nome, o vírus também infecta roedores).

A mesma matéria traz os resultados de um estudo executado por pesquisadores da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres (LSHTM) de que a forte presença da doença em países nos quais o vírus não é endêmico seja motivada pela entrada do vírus em redes sexuais de homens que fazem sexo com homens (HSH). Um estudo conduzido pela Agência de Segurança em Saúde do Reino Unido (UKHSA) com pacientes da Varíola do Macaco apontou que dos 152 pesquisados, 151 se declararam HSH, o que reforçou a preocupação das autoridades epidemiológicas sobre o tema.

A Varíola do Macaco pode reviver o triste episódio que relacionou a AIDS com um comportamento sexual fortalecendo o preconceito e a estigmatização de pessoas que já sofriam de uma doença gravíssima e precisavam conviver com o preconceito. Estamos diante de um novo desafio que precisa ser enfrentado com inteligência e os cuidados devidos, para que não se transforme em um novo problema de saúde pública mundial.

A COVID19 já nos deixou esgotados. Não precisamos de outra mazela.

Boa semana para todos (as).